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28 de fevereiro de 2024

Escoteiros escoceses, saindo do Palácio do Eliseu em Paris, França


Escoteiros escoceses, saindo do Palácio do Eliseu após serem recebidos pelo Presidente da República, admiram a Guarda Republicana em serviço em Paris, França, em 26 de julho de 1950.

 

23 de fevereiro de 2024

Escoteiros da França da província da Alsácia criaram a associação "Les Amis du Dompeter".


Le Dompeter é uma pequena igreja localizada na cidade de Avolsheim, perto de Molsheim, na Alsácia. Desde 1933 , está confiada aos cuidados dos Escoteiros e Guias da França da Alsácia. O Dompeter é também o memorial aos Escoteiros Franceses da Alsácia que morreram durante a Segunda Guerra Mundial.


Um lugar alto do cristianismo alsaciano

A Dompeter, originalmente chamada de domus petri , a casa de Pedro , pode ser a igreja mais antiga da Alsácia. A lenda atribui a sua fundação a Santa Materne no século I. Ampliado nos séculos IX e X , o Dompeter foi consagrado no ano de 1049 pelo Papa Alsaciano Leão IX. No século XIV , Dompeter era a igreja matriz do cantão de Molsheim e mais tarde foi servida pelos jesuítas de seu colégio em Molsheim.

A partir de 1911 , o Dompeter foi abandonado pela nova igreja construída no meio da vila.

Uma Meca do escotismo alsaciano

“Foi na quinta-feira , 18 de maio de 1933”, diz um dos mais velhos, “que as coisas começaram. Naquele dia, um padre e um escoteiro de Molsheim passeavam pela encantadora e florida vinha que vai das colinas pré-Vosges aos prados verdejantes da planície. O sacerdote em questão é Marie Joseph Kolb, vigário geral e arquidiácono de St Florent. “Uma mancha branca brilhava ao sol: o velho Dompeter. Eles queriam entrar no santuário; estava fechado. As janelas estavam quebradas; os caixilhos das janelas, quebrados, jaziam na igreja. Você poderia, por falta de algo melhor, entrar por essas baías abertas. O interior da igreja, com a sua dilapidação, impressionou ainda mais os dois visitantes. Atrás da Via Sacra, os pássaros fizeram seus ninhos. Os altares estavam abandonados, sujos e empoeirados, as estátuas eram frágeis; tudo foi danificado pela umidade, pela chuva e pelos rastros deixados pelos nossos irmãozinhos, os pássaros, tão simpáticos, mas também desrespeitosos! Sem dúvida em desuso, importava, no entanto, restituir a esta antiga igreja a aparência exterior de dignidade que lhe convinha.

Trabalho ingrato e obscuro... Como não pensar nos escoteiros para realizá-lo? Além disso, naquela mesma noite, o comissário dos Escoteiros de França para o distrito de Estrasburgo foi alertado por telefone. Um esplêndido bacharelado, que Sua Excelência Monsenhor Ruch, Bispo de Estrasburgo, já informou, aprovou calorosamente. E assim, dois dias depois, sábado, 20 de maio, uma primeira equipe de escoteiros de Estrasburgo foi de bicicleta ao Dompeter para realizar o primeiro trabalho.

Discurso do Bispo Ruch no Dompeter (1933)

Uma vez restaurado, os Escoteiros da França queriam fazer do Dompeter um santuário onde os santos da Alsácia estivessem presentes. A transferência das relíquias foi organizada em 1º de julho de 1934 e foram colocadas no coro na presença do General de Salins e do Cônego Cornette .

Em 15 de agosto de 1942 , a estátua com a efígie de Notre-Dame de Estrasburgo esculpida por alguns caminhoneiros alsacianos foi apresentada à peregrinação de Puy com o desejo de trazê-la de volta à Alsácia após a libertação. Em 1946, a Virgem regressou triunfalmente à Alsácia numa peregrinação que atravessou as aldeias de Pfetterhouse até à Catedral de Estrasburgo, onde a estátua foi recebida pelo Bispo Weber .

1947 - instalação da estátua de Notre-Dame de Estrasburgo no Dompeter.

Em 1950 , a província escoteira da Alsácia organizou um comício em Dompeter para comemorar um triplo aniversário: 900 anos de Dompeter, 30 anos de escotismo na Alsácia, 20 anos de guarda do santuário confiado aos Escoteiros.

Na segunda-feira de Pentecostes, o altar memorial é consagrado por Dom Weber. Trata-se de uma simples mesa românica rodeada no fundo do coro por painéis que recordam os nomes dos 214 escuteiros tombados durante a guerra de 1939-1945 sob o uniforme francês ou alemão - pelos Apesar de Nós -, combatentes da resistência, clandestinos, deportados e também combatentes da Indochina e da Argélia.

Para muitos deles o seu túmulo é desconhecido, será o único monumento que recorda a sua memória.

O Dompeter é para os Escoteiros e Guias da França da Alsácia um sinal de lealdade à Igreja e de lealdade à Pátria, é um duplo compromisso ao qual os vincula a sua promessa escoteira

Interior da igreja


Os Amigos do Dompeter

Em 1957, os Escoteiros da França da província da Alsácia criaram a associação "Les Amis du Dompeter". Esta associação visa ajudar os Escoteiros e Guias da França da Alsácia, guardiões do local, a manter a igreja, a torná-la conhecida como centro espiritual e como seu memorial. Todos os anos, no dia 11 de novembro, jovens e idosos do movimento escoteiro e de guias são convidados para uma celebração em memória dos escoteiros tombados durante a Segunda Guerra Mundial.

No âmbito do centenário do escotismo em 2007, a associação organizou uma grande exposição sobre a história do movimento Escoteiros e Guias da França na Alsácia. É presidido desde 2014 por Christian WILHELM.





1 de janeiro de 2019

O Padre Jacques Sevin e a Fundação do Escutismo Católico

1. O Padre Jacques Sevin, S.J.

Jacques Sevin nasceu em Lille, França, a 7 de dezembro de 1882. Em 1900 entrou para o Noviciado dos jesuítas, tendo sido ordenado presbítero em 1914, na Bélgica.

Em 1913 conheceu pessoalmente Baden-Powell (B-P), fundador do Escutismo, de quem se veio a tornar amigo, bem como o Cardeal católico Francis Bourne, clérigo muito interessado pela temática e apoiante da mesma. Nessa altura, Sevin começou a estudar profundamente o Escutismo.

Em 1917 fez ensaios clandestinos de Escutismo, em Mouscron (Bélgica), e redigiu a sua mais célebre obra ‘O Escutismo’. Neste livro desenhou os princípios gerais do Escutismo Católico, na mais estrita fidelidade às intuições de B-P mas dando-lhe o complemento decisivo de uma leitura à luz do Evangelho. Em 1921 foi condecorado por B-P com a mais alta condecoração escutista: o Lobo de Prata.

Em 1924 foi chamado a Roma para aí ‘defender’ o Escutismo, tendo reunido com membros de diferentes dicastérios e, inclusive, com o Santo Padre Pio XI (várias dúvidas eram levantadas, nomeadamente uma certa suspeição derivada da origem anglicana de B-P e ainda uma certa aparência de neo-paganismo panteísta na relação entre o Escutismo e a Natureza). Depois de o escutar, o Sumo Pontífice terá afirmado: “nós só temos a desejar o crescimento da vossa obra, não apenas em quantidade, mas também em qualidade; se bem que em obras deste género a quantidade também tem a sua importância”.

Desta viagem, o Pe. Sevin extraiu, com humildade, cinco lições: firmeza nos princípios e na sua aplicação; noção mais exata da fraternidade; maior ligação às outras obras católicas; prudência; equilíbrio entre as coisas religiosas e a sua estima pelo Escutismo.

Em 1945 fundou a Congregação de Santa Cruz de Jerusalém.

Atualmente o seu processo de (eventual) beatificação encontra-se em curso.

Baden-Powell terá afirmado: “A melhor realização do meu pensamento é aquela de um jesuíta francês”, referindo-se ao Pe. Sevin (Cfr. Website dos SGdF)

 

2. O seu contributo para o Escutismo Católico

Em primeiro lugar importa referir que ainda antes de o Pe. Sevin ter desenvolvido o seu projecto, já havia grupos católicos dentro do Escutismo. O caso mais antigo conhecido é o de um grupo de Mouscron (Bélgica) que recebeu uma resposta de apreço da parte do Secretário de Estado da Santa Sé, o Cardeal Merry del Val, em resposta a uma carta que o professor Jean Corbisier endereçara ao Papa Pio X. Sua Santidade recebera com agrado as notícias constantes na carta sobre as actividades daquele grupo, dando conta da evolução do Escutismo no seio católico, e enviara da sede de Roma a sua Bênção Apostólica para o referido empreendimento (18 de Janeiro de 1913).

Em Itália, Mario Falconieri, Conde ‘di Carpegna’, viajou até Londres em 1915 onde teve contacto com B-P e com o Cardeal Bourne, com o intuito de fundar uma Associação Escutista Católica em Itália, o que aconteceu no ano seguinte.

Outros casos análogos podem ter ocorrido noutros países, ainda antes do Pe. Sevin estabelecer as bases teóricas do ‘Escutismo Católico’. Contudo, é inegável ter sido ele a figura determinante do estabelecimento das bases desta forma específica de aplicação do Escutismo: o ‘Escutismo Católico’ é, antes de tudo, verdadeiro ‘Escutismo’ que se limita a aplicar o pensamento de B-P quando se refere à importância da religião no Escutismo. Como afirmava o Pe. Sevin, “a religião é a base do Escutismo”.

Em 1920, por ocasião do Jamboree de Londres, o Pe. Sevin, o Conde Mario di Carpegna e o Professor Jean Corbisier estabeleceram as bases para o nascimento do organismo internacional de Escutismo Católico que hoje existe com o nome de ‘Conferência Internacional Católica do Escutismo’ (CICE), do qual o CNE é membro.

A interpretação que o Pe. Sevin fez da Lei do Escuta à luz do Evangelho e em referência a este, é ainda hoje modelo inspirador para a nossa reflexão.

 

3. A relação entre esse contributo e o CNE

Ao ler o livro ‘O Escutismo’ fica a sensação de estar ali plasmada a natureza do próprio CNE, a que não é alheio o facto de termos tido sempre proximidade com o Escutismo católico francês. Foi, aliás, graças à mediação dos ‘Scouts de France’ e, em especial do Pe. Sevin, que o CNE (CNS na altura) obteve a sua aprovação internacional. Efetivamente, tendo sido diretamente inspirado nos Escuteiros Católicos Italianos, o CNE foi sendo construído na linha da fidelidade aos princípios originais ingleses, iluminados pela novidade do Evangelho que o Escutismo católico francês veiculava. Esses aspectos constituem ainda hoje a matriz do CNE.

Poder-se-ia sugerir a seguinte síntese do que é o Escutismo Católico: o fim último a que se refere é o Reino dos Céus (o seu acolhimento e construção, na abertura à Graça); tem uma dimensão eminentemente comunitária de vivência da fé; insere-se na comunhão da Igreja, mediante a promoção da vocação batismal; tem no Evangelho a sua Lei suprema, que ilumina de modo novo e original a Lei do Escuta; traduz-se na vivência de uma Mística e Simbologia espirituais.

Por último, um dos grandes legados que o Pe. Sevin ofereceu ao Escutismo Católico foi a belíssima ‘Oração do Escuta’, de origem inaciana e adaptada para o Escutismo por ele, tantas vezes rezada pelos escuteiros: “Senhor Jesus ensinai-me a ser generoso, a servir-Vos como Vós o mereceis, a dar-me sem medida, a combater sem cuidar das feridas, a trabalhar sem procurar descanso, a gastar-me sem esperar outra recompensa, senão saber que faço a Vossa vontade santa. Ámen”.

 

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SABIA QUE

Sabia que... nos dias 5 e 6 de março de 1929, Lisboa testemunhou a primeira visita de Baden Powell. O fundador e Chefe Mundial do Escutismo foi recebido por cerca 500 escuteiros.  Ao jornal da época, ‘As Novidades’, Baden Powell disse: “Não esperava esta receção ruidosa. A viagem tem sido excelente. O Escutismo é um movimento que triunfa.”

25 de dezembro de 2012

Serviço da Igreja ao mundo exprime-se com leigos esclarecidos


Bento XVI realizou a sua 27ª viagem apostólica em Itália. Na semana em que lembrou o Dia Mundial da Família, o Papa dirigiu-se aos directores nacionais das Obras Missionárias Pontifícias e também ao novo presidente francês. Finalmente, o fundador do escutismo católico vai ser beatificado.

1. O Papa visitou a Diocese de Diocese de Arezzo–Cortona–Sansepolcro, na Toscânia, centro de Itália, no passado Domingo, dia 13 de Maio, tendo sublinhado a importância da missão laical. “Hoje em dia há uma especial necessidade de que o serviço da Igreja ao mundo se exprima com leigos esclarecidos, capazes de actuar dentro da cidade do homem, com a vontade de servir para além do interesse privado, para lá de visões de parte”, sublinhou Bento XVI, no discurso dirigido aos habitantes de Sansepolcro, na última etapa da visita. “O bem comum conta mais do que o bem do indivíduo. Toca também aos cristãos contribuir para o nascimento de uma nova ética pública”, acrescentou.

Naquela que foi a 27ª viagem dentro de Itália, o Papa dirigiu-se também aos jovens, convidando-os a darem uma ampla dimensão à sua vida: “Tende a coragem de ser ousados! Estai prontos a dar novo sabor a toda a sociedade civil, com o sal da honestidade e do altruísmo desinteressado. É necessário reencontrar sólidas motivações para servir o bem dos cidadãos”.

De manhã, no Parque de Prato, junto à Catedral de Arezzo, Bento XVI celebrou a Eucaristia, com a participação de cerca de 30 mil pessoas. Na sua homilia, o Papa sublinhou a dimensão de amor a Deus e ao próximo, de que falavam as leituras, exortando a manter vivo, nestes tempos de crise económica e social, a solidariedade e a atitude de acolhimento e proximidade que marcaram no passado estas terras, tendo bem presente o espírito de Francisco de Assis. “Esta terra, onde nasceram grandes personalidades do Renascimento teve parte activa na afirmação daquela concepção do homem que marcou a história da Europa, fortalecendo-se com os valores cristãos”, observou.


2. O Dia Internacional da Família, instituído pelas Nações Unidas e que foi assinalado no passado dia 15 de Maio, foi evocado pelo Papa, na audiência-geral da passada quarta-feira. Bento XVI salientou que o tema deste ano – ‘Família e trabalho’ – referia o equilíbrio a assegurar entre duas questões estritamente ligadas entre si: o trabalho “não deveria criar obstáculos à família, mas pelo contrário apoiá-la e uni-la, ajudá-la a abrir-se à vida e a entrar em relação com a sociedade e com a Igreja”. O Papa fez ainda votos de que o Domingo, “dia do Senhor e Páscoa da semana, possa ser mesmo dia de repouso e ocasião para reforçar os elos familiares”.

Ainda a propósito da família, o Vaticano divulgou esta semana o programa da visita do Papa a Milão, entre 1 e 3 de Junho, para o VII Encontro Mundial das Famílias. Momento culminante desta viagem será a Missa dominical, no Parque de Bresso, às 10 horas da manhã, com os participantes no encontro. Na véspera, sábado, 2 de Junho, Bento XVI participa, no mesmo local, à chamada ‘Festa dos Testemunhos’, um momento de partilha e celebração com as delegações de todo o mundo. Ainda neste dia, da parte da manhã, Bento XVI vai venerar as relíquias de Santo Ambrósio, na catedral, e no estádio San Siro vai manter um encontro com os fiéis que irão ser crismados. No Domingo, depois da Missa, o Papa almoça com cardeais, bispos e algumas famílias. De tarde, antes de regressar a Roma, Bento XVI encontra-se com os membros da Fundação Famílias 2012 e os organizadores da visita.


3. O Papa falou aos diretores nacionais das Obras Missionárias Pontifícias, reunidos em assembleia juntamente com responsáveis da Congregação para a Evangelização dos Povos, e recordou que a missão da Igreja no mundo atual exige uma “oração mais intensa”, manifestando o seu apoio a uma campanha de recitação do Rosário pela “obra evangelizadora”.

Bento XVI reconheceu que o anúncio do Evangelho implica “dificuldades e sofrimentos”, agravadas, nalguns casos, por mudanças políticas, económicas e culturais em curso. “Apesar dos problemas e da trágica realidade da perseguição, a Igreja não perde a coragem, permanece fiel ao mandato do seu Senhor”, prosseguiu.


4. O Papa enviou uma mensagem de felicitações ao novo presidente de França, por ocasião da investidura no cargo, pedindo que François Hollande respeite as “nobres tradições espirituais e morais do país”. Em telegrama, divulgado esta semana pelo Vaticano, Bento XVI diz esperar que os gauleses sejam “um factor de paz e solidariedade activa na busca do bem-comum, do respeito pela vida e pela dignidade de todas as pessoas e todos os povos”.

A mensagem papal deseja ainda que Hollande possa “conseguir, corajosamente, os objectivos de edificação de uma sociedade cada vez mais justa e fraterna, aberta ao mundo e solidária com as nações mais pobres”.


5. O fundador do Escutismo Católico está a caminho da beatificação. Bento XVI aprovou a publicação do decreto que reconhece as ‘virtudes heróicas’ do padre francês Jacques Sévin, responsável pela integração do movimento escutista – fundado por Baden-Powell em 1907 – no meio católico, a partir dos princípios do Evangelho.

Aura Miguel, à conversa com Diogo Paiva Brandão