A primeira notícia sobre o Escotismo no Brasil, foi
publicada em 1 de dezembro de 1909. Em 2018 alcançou 120.901 membros da União
dos Escoteiros do Brasil em 1.604 Unidades Escoteiras Locais.
História
A primeira notícia sobre o Escotismo publicada, no Brasil,
foi do dia 1 de dezembro de 1909, no número 13 da revista Ilustração
Brasileira, editada no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e com circulação
nacional. A reportagem tinha o título: Scouts e a Arte de Scutar; ocupava três
páginas e apresentava sete fotografias. A matéria fora preparada na Inglaterra
pelo 1º Tenente da Marinha de Guerra Eduardo Henrique Weaver, onde se
encontrava a serviço.

Teve, assim, a oportunidade de presenciar o nascimento do
Movimento Escoteiro – Scouting for Boys, criado em 1907 pelo General Inglês
Baden-Powell. Na época, juntamente com o Tenente Weaver, encontrava-se na
Inglaterra numeroso contingente de Oficiais e Praças da Marinha — preparava-se
para guarnecer os novos navios da esquadra brasileira em construção. Um grupo
de suboficiais entusiasmou-se com o revolucionário método de educação complementar.
Entre eles estava o Suboficial Amélio Azevedo Marques que fez seu filho Aurélio
ingressar em um dos Grupos Escoteiros locais.
Assim, o jovem Aurélio Azevedo
Marques foi o primeiro escoteiro brasileiro. Quando da vinda para o Brasil, os
militares trouxeram consigo uniformes escoteiros ingleses, no valor de trinta
libras esterlinas. O Encouraçado Minas Gerais, navio onde estava embarcada a
maioria dos militares interessados em trazer para o Brasil o Movimento
Escoteiro, chegou ao Rio de Janeiro em 17 de abril de 1910. No dia 14 de junho
do mesmo ano, na casa número 13 da Rua do Chichorro no Catumbi, Rio de Janeiro,
reuniram-se, formalmente, todos interessados pelo escotismo e embarcados nos
navios que haviam chegado ao Brasil. Naquele local foi oficialmente fundado o
Centro de Boys Scouts do Brasil. O evento foi informado aos jornais, os quais
publicaram a carta recebida da Comissão Diretora.
A correspondência enviada começava nos seguintes termos:
"À imprensa desta capital, brilhante e poderoso fator de progresso, campeã
de todas as idéias nobres, vem o Centro de Boys Scouts do Brasil, solicitar o
auxílio de sua boa vontade, o esteio de que necessita para que em todos os
lares brasileiros penetre o conhecimento do quanto à Pátria pode ser útil a instrução
dos Boys Scouts".
Espalhou-se pelo país, sendo adotado inclusive como proposta
educativa governamental. Com o tempo, foi se modificando, em alguns aspectos se
adaptando às mudanças da sociedade, por exemplo, passando a aceitar garotas em
seus quadros e ampliando a faixa de atendimento para jovens na idade de sete
aos 21 anos.
No país, existem duas associações escoteiras: a União dos
Escoteiros do Brasil, UEB, fundada em 1924, como resultado da união de diversas
associações escoteiras existentes na época (daí o nome "União dos
Escoteiros") e filiada à Organização Mundial do Movimento Escoteiro. A
União dos Escoteiros do Brasil adota uma organização vertical, definindo
parâmetros de ação para as Unidades Locais (Grupos Escoteiros e Seções Autônomas)
associadas, através de um programa único, visando maior coesão entre todos os
membros.
Modalidade do Mar no Brasil
A Modalidade do Mar no Brasil não foi diferente das de
outras nacionalidades, as práticas de atividades náuticas, as sedes escoteiras
dentro de Clubis Navais, as tropas mantidas pela Marinha ou com Chefes que eram
marinheiros, os ambientes aquáticos para atividades constantes eram comuns
desde 1910, porém não foram organizados como modalidade, semelhante ao ocorrido
na Inglaterra, inicialmente.
Em 1910, no Encouraçado Minas Gerais, chegavam ao Brasil
oficiais da Marinhade Guerra, que traziam os primeiros manuais escoteiros (em
inglês), uniformes e os primeiros escoteiros brasileiros, filhos de alguns
desses sub oficiais (estes que haviam feito suas promessas na Inglaterra).
Dentre os suboficiais, destaca-se Amélio de Azevedo Marques, que junto com os
demais marinheiros foi o introdutor do Escotismo no Brasil. Estes marinheiros
assim que chegaram no Rio de Janeiro abriram uma tropa escoteira no bairro do
Catumbi, próximo do sambódromo de hoje, na Rua do Chichorro número 13 (existe
na fachada da casa uma placa alusiva à fundação deste grupo, hoje extinto).
Em 1938, adquiriam os Escoteiros do Mar a sua primeira Base
Naval própria localizada no Porto de Maria Angu. Em Setembro de 1941, a Modalidade foi anexa à União dos
Escoteiros do Brasil. Hoje a Modalidade abrange grande parte do território
nacional.
Modalidades do Escotismo no Brasil
As modalidades do escotismo, no Brasil, são constituídas de
três formas existentes que são a básica, a Modalidade do Mar, a Modalidade do
Ar e uma quarta, que caiu em desuso a Modalidade Ferroviária. São adotadas
pelos grupos escoteiros de forma a guiar as atividades dos grupos e formação
dos seus membros, entretanto o grupo quanto assume uma modalidade não fica
restrita a essa e nem é impedida de realizar as atividades típicas das demais
modalidades.[3]
A Modalidade Básica, caracterizada pelo escoteiro típico,
sendo a modalidade com o maior número de integrantes, apresenta grande
flexibilidade de atividades e com formação geralmente mais voltada para a atividade
excursionista, campismo e montanhismo.
Os acampamentos exigem inúmeras técnicas escoteiras, dentre
elas a que se destaca é a pioneira, uma forma de suprir a necessidade de
móveis e como um modo de proteção, normalmente constituídas por troncos de madeira
e unidas através de amarras.
O que caracteriza o Escotismo Modalidade do Mar é que eles
realizam suas atividades preferencialmente na água, onde quer que exista água
em quantidade e profundidade suficientes para que uma embarcação possa navegar,
seja ela de que tipo for. Sendo assim podem existir Escoteiros do Mar, seja
esta água de mar, de rio, lago, lagoa ou pantanal. Procurando desenvolver nos
jovens o gosto pela vida no mar, pelas artes e técnicas marinheiras, pela
navegação à vela e a motor, pelas viagens e transportes marítimos, pela pesca,
pelo estudo da oceanografia, pela exploração e pelos esportes náuticos,
incentivando o culto das tradições da marinha. A gama de atividades que podem
ser realizadas é enorme, indo da tradicional navegação a remo até mergulho ou
windsurf.
O Escotismo Modalidade do Ar procura desenvolver nos jovens,
além dos valores da Modalidade Básica, o gosto pelo aeromodelismo, aeroplanos,
pelos problemas de aeroportos, aeronavegação, aeropropulsão, pelo pára-quedismo
e pelos esportes aéreos, pelo estudo da meteorologia e da cosmografia, pelo
mundo aeroespacial e pela cosmonáutica, incentivando o culto das tradições da
aeronáutica do país. As ênfases educativas das Modalidades do Ar e Mar, são
apenas desenvolvidas nos Ramos Escoteiro e Ramo Sênior.
Modalidade Ferroviária (extinta, caiu em desuso)
O Escotismo Ferroviário surgiu no Brasil, na década de
1920-1930. Previa-se a instalação de Grupos Escoteiros nas estações de trem,
urbanas ou suburbanas.
Alguns grupos foram abertos no Rio de Janeiro e em Minas
Gerais, nos ramais da Estrada de Ferro Central do Brasil. Ao que parece,
tiveram vida curta, com exceção do RJ/GE Alcindo Guanabara (antes nomeado Grupo
Light, por ser patrocinado por aquela empresa de energia elétrica do Rio). Esse
GE existiu no período de 1926 (mais ou menos) até a década de 90.
Um dos seus expoentes era o Chefe Gabriel Skinner, Tapir de
Prata, e de grande atuação no escotismo nacional nas décadas de 1930-40.
Organização
Os jovens são divididos conforme a faixa etária em vários
ramos ou secções. Cada ramo possui um programa de desenvolvimento e de
atividades apropriados à idade e ao desenvolvimento mental, intelectual,
espiritual, físico e social do jovem.
A Seção é a unidade do Movimento Escoteiro, que congrega
membros do mesmo Ramo:
Ramo Lobinho: para meninos e meninas de 7 a 10 anos,
admitindo-se com idade menor (até 6 anos e meio) se estiver alfabetizado.
Seção: Alcateia (pode ser mista ou não). São chamados de Lobinhos, divididos em
Matilhas (grupos de quatro a seis Lobinhos). Trabalha-se a fantasia, utilizando
como fundo de cena a História do Livro do Jângal (Mogli, o menino lobo);
Ramo Escoteiro: para rapazes e moças de 11 a 14 anos. Seção:
Tropa de Escoteiros, Tropa de Escoteiras ou Tropa Escoteira Mista. São os
Escoteiros, divididos em Patrulhas (grupos de seis a oito Escoteiros).
Trabalha-se a aventura, através da vida ao ar livre;
Ramo Sênior: para rapazes e moças de 15 a 17 anos. Seção:
Tropa Sênior, Tropa Guia ou Tropa Sênior Mista. São os Seniores e Guias,
divididos em Patrulhas (grupos de quatro a seis Seniores e/ou Guias).
Trabalha-se com o desafio aos limites, tanto físico, quanto intelectual, social
e espiritual;
Ramo Pioneiro: para rapazes e moças de 18 a 20 anos. Seção:
Clã Pioneiro. São os Pioneiros e Pioneiras, que se organizam em Equipes de
Interesse, com quantidade variável de jovens. Tem como objetivo trabalhar o
serviço ao próximo, como forma de melhorar a sociedade em que vivemos.
Os adultos com 21 anos ou mais participam de diversas
formas. Podem ser Escotistas, que coordenam as atividades com os jovens; na
U.E.B., Dirigentes Institucionais, que dirigem os Grupos Escoteiros e Regiões
Escoteiras (estaduais); ou ainda Dirigentes de Formação, que se ocupam da
orientação e formação de outros adultos.
Os ramos são os mesmos aplicados pela U.E.B. e sugeridos
pela AEBP. As Unidades Locais Associadas à AEBP são livres para definir os
parâmetros dos ramos, podendo adaptá-los para o programa utilizado. Existem,
por exemplo, Grupos Escoteiros onde o Clã Pioneiro congrega membros com idades
entre 18 e 26 anos.
Conjuntura
O escotismo brasileiro é formado por mais de uma
instituição: a União dos Escoteiros do Brasil (UEB), A UEB é a única associação
de escoteiros brasileiros filiada à Organização Mundial do Movimento Escoteiro.
Sua organização no Brasil é dividida em escritórios
regionais distribuídos por diversos estados da federação, com alguns poucos
profissionais remunerados para administrar 45 mil voluntários distribuídos por
unidades locais de atuação: os Grupos Escoteiros e as Seções Autônomas. Nestas
Unidades Locais, através dos voluntários, é que se colocam em prática os
programas educacionais para jovens.