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22 de fevereiro de 2024

22 de febrero de 1857, nasce ROBERT BADEN POWELL ⚜️

Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, o Barão de Gilwell (Londres, 22 de fevereiro de 1857 — Nieri, 8 de janeiro de 1941) foi um tenente-general do Exército Britânico, fundador do escotismo e do Movimento Bandeirante (especifico para meninas) juntamente com sua irmã Agnes Baden-Powell e a esposa Olave Baden-Powell em 1909.


Filho do reverendo Baden Powell, professor catedrático em Oxford. O avô materno foi almirante inglês W. T. Smyth, o bisavô, Joseph Brewer Smyth, foi colonizador de Nova Jersey (Estados Unidos).

Biografia

O seu pai era o reverendo Baden Powell, professor catedrático em Oxford, que faleceu quando Robert Baden-Powell tinha apenas 3 anos, deixando a sua mãe com sete filhos. Esta era filha do almirante inglês W. T. Smyth. Seu bisavô, Joseph Brewer Smyth, tinha ido como colonizador para Nova Jersey (Estados Unidos) mas faleceu em naufrágio durante o retorno ao Reino Unido.

Carreira militar

Aos 19 anos, Baden-Powell terminou os estudos na Escola Charterhouse.

No serviço militar chegou a capitão aos vinte e seis anos e, também ganhou o troféu desportivo mais desejado na Índia, o troféu de "sangrar o porco", caça ao javali selvagem a cavalo, tendo como única arma uma lança curta. Um desporto perigoso, pois o javali selvagem é habitualmente citado como "o único animal que se atreve a beber água no mesmo bebedouro com um tigre".

Em 1887, B-P participou da campanha contra os Zulus na África. Foi ascendido a Major em 1889, e em Abril de 1896 dirigiu uma expedição contra os matabele em Rodésia.

Dias depois de uma revolta de negros que massacraram 300 colonos britânicos, o coronel cercou o chefe dos guerreiros chamado Uwini com mais de 350 soldados.

Os ingleses prometeram poupar a vida aos guerreiros em troca da rendição. As autoridades civis pediram que ele fosse entregue para ser preso, porém Baden, recusou e mandou-o executar com o argumento de que ameaçava os britânicos. Em 2009, Robin Clay, neto de Baden-Powell, desculpou-o no Times: "Todos cometemos erros. Na guerra as emoções estão ao rubro. Faz-se o que se pensa estar certo".

Esta era um época formativa para B-P não só porque ele tinha a época da vida dirigindo missões como chefe do reconhecimento no território inimigo na Rodésia, mas também porque muitas das suas ideias mais recentes do escotismo se enraizaram aqui. Foi nesta guerra que ele começou uma amizade com o escoteiro americano Frederick Russell Burnham, que o introduziu ao ponto de ebulição a maneira do Oeste americano e do woodcraft (escotismo), e aqui que ele usou seu chapéu Stetson pela primeira vez. Mais tarde B-P participou na campanha contra a tribo dos Ashantís. Os nativos temiam-no tanto que lhe davam o nome de "Impisa" ("lobo-que-nunca-dorme") , devido à sua coragem, à sua perícia como explorador e à sua impressionante habilidade em seguir pistas.

As promoções de B-P na carreira militar eram quase automáticas tal a regularidade com que ocorriam até que, subitamente se tornou famoso.

"Baden-Powell é um scout maravilhosamente capaz e rápido em esboços. Não conheço outro que poderia ter feito o trabalho em Mafeking se as mesmas circunstâncias fossem impostas. Todos os bocados do conhecimento que recolheu estudiosamente foram utilizadas na proteção da comunidade".
Extrato O sitio de Mafeking abandonado pelos Boeres, Frederick Russell Burnham entrevistado por o jornal Times of London, 19 Maio 1900).

Corria o ano de 1899 e Baden-Powell tinha sido promovido a Coronel. Na África do Sul começava uma agitação e as relações entre a Inglaterra e o governo da República de Transval tinham chegado ao ponto do rompimento. B-P recebeu ordens de organizar dois batalhões de carabineiros montados e marchar para Mafeking, uma cidade no coração da África do Sul. "Quem tem Mafeking tem as rédeas da África do Sul", era um dito corrente entre os nativos, que se verificou ser verdadeiro.

Veio a guerra dos Boers, e durante 217 dias (a partir de 13 de Outubro de 1899) B-P defendeu Mafeking cercada por forças esmagadoramente superiores do inimigo, até que tropas de socorro conseguiram finalmente abrir caminho lutando para auxiliá-lo, no dia 18 de maio de 1900.

B-P, promovido agora ao posto de major-general, tornou-se um herói aos olhos de seus compatriotas. Foi como um herói dos adultos e das crianças que em 1901 ele regressou da África do Sul para a Inglaterra e descobriu, surpreso, que a sua popularidade pessoal dera popularidade ao livro que escrevera para militares: Aids to Scouting (Ajudas à Exploração Militar). O livro estava sendo usado como um compêndio nas escolas masculinas. B-P viu nisto um desafio. Compreendeu que estava aí a oportunidade de ajudar a juventude.

Escotismo

Burnham, Chefe dos Escoteiros, desenhado por Baden-Powell, Matabeleland, 1896.

Em 1887, Baden-Powell participou da campanha contra os Zulus na África. Logo após foi promovido a Major em 1889, e em Abril de 1896 dirigiu uma expedição contra os Matabele em Rodésia. Esta era uma época formativa para Baden-Powell, pois muitas das ideias fundamentais do escotismo têm sua origem aqui. Nesta guerra Baden-Powell iniciou uma amizade com o escoteiro americano Frederick Russell Burnham, conhecido pelos serviços prestados no exército colonial britânico, que mostrou a ele a maneira do Oeste americana do woodcraft (escotismo), e foi aqui que ele usou seu chapéu Stetson como Burnham (chapéu comumente usado pro Baden-Powell) pela primeira vez a Baden-Powell, sendo esta uma das influências mais notáveis do fundador do escotismo. A amizade entre os dois resultou anos depois na formulação didática do escotismo.

Pôs-se então a trabalhar, aproveitando e adaptando sua experiência na Índia e na África entre os Zulus e outras tribos do sul da África. Reuniu uma biblioteca especial e estudou nestes livros os métodos usados em todas as épocas para a educação e o adestramento dos rapazes, desde jovens espartanos, os antigos bretões, os peles-vermelhas, até os nossos dias. Lenta e cuidadosamente, B-P foi desenvolvendo a ideia do escotismo. Queria estar certo de que a ideia podia ser posta em prática, e por isso, no verão de 1907 foi com um grupo de 20 rapazes separados por 4 patrulhas (Maçarico, Corvo, Lobo, Touro) para a Ilha de Brownsea, no Canal da Mancha, para realizar o primeiro acampamento escoteiro que o mundo presenciou. O acampamento teve um completo êxito.

Nos primeiros meses de 1908, lançou em seis fascículos quinzenais o seu manual de adestramento, o "Escutismo para Rapazes" sem sequer sonhar que este livro iria por em ação um movimento que afetaria a juventude do mundo inteiro.

Mal tinha começado a aparecer nas livrarias e nas bancas de jornais e já surgiram patrulhas e escotistas não apenas na Inglaterra, mas em muitos outros países. O movimento cresceu tanto que em 1910,B-P compreendeu que o Escotismo seria a obra a que dedicaria a sua vida. Teve a visão e a fé de reconhecer que podia fazer -mais pelo seu país adestrando a nova geração para a boa cidadania do que preparando meia-dúzia de homens para uma possível futura guerra.

Robert Baden-Powell e o Comandante da tropa em Mafeking.

Pediu então licença do Exército onde havia chegado a tenente-general e ingressou na sua "segunda vida", como costumava chamá-la, sua vida de serviço ao mundo por meio do Escotismo.

Em 1912, fez uma viagem à volta do mundo para contatar os escoteiros de muitos outros países. Foi este o primeiro passo para fazer do Escotismo uma fraternidade mundial.

A Primeira Guerra Mundial momentaneamente interrompeu este trabalho, a 27 de Junho de 1919 foi feito Comendador da Ordem Militar de Cristo, mas com o fim das hostilidades foi recomeçado, e em 1920 escoteiros de todas as partes do mundo reuniram-se em Londres para a primeira concentração internacional de escoteiros: o Primeiro Jamboree Mundial. Na última noite deste Jamboree, a 6 de Agosto, Baden Powell foi proclamado "Escoteiro-Chefe-Mundial" sob os aplausos da multidão de rapazes.

O Movimento Escoteiro continuou a crescer. No dia em que atingiu a "maioridade" completando 21 anos contava com mais de 2 milhões de membros em praticamente todos os países do mundo. Nesta ocasião, Baden Powell recebeu do rei Jorge V a honra de ser elevado a barão, recebendo o estilo de Lorde Baden-Powell of Gilwell.

Quando suas forças afinal começaram a declinar, depois de completar oitenta anos de idade, regressou à sua amada África com a sua esposa, Olave Baden-Powell, que fora uma entusiástica colaboradora em todos os seus esforços, e que era a Chefe-Mundial das Bandeirantes, movimento também iniciado por Baden-Powell.

Olave St. Clair Soames nasceu no dia 22 de fevereiro de 1889 na Inglaterra. Seus pais, Harold Soames e Katharine Hill, tinham já um casal de filhos. Olave gostava muito de animais, de caminhar ao ar livre, de musica e esportes. Mas foi a bordo de um navio pelo atlântico que a vida da jovem Olave Soames mudou radicalmente e entrou para a História bandeirante. Em janeiro de 1912, Olave e seu pai embarcaram no navio “Arcadian”, para um cruzeiro turístico, no qual também estava a bordo, o famoso herói de guerra e fundador do Escotismo chamado Robert Baden-Powell. Ali conheceu Baden e também a Chefa americana Juliette Low, velha amiga dele, que fundara a Associação de Girl Scouts nos Estados Unidos da America. O namoro entre os dois iniciou-se naquele cruzeiro de 20 dias e no qual eles puderam se conhecer, descobrir muitas coisas em comum, inclusive que, seus aniversario caiam no mesmo dia, 22 de fevereiro. Na época Powell tinha 55 anos e Olave, 23 anos. Em outubro daquele mesmo ano, Powell e Olave casam em uma cerimônia simples na igreja de São Pedro, em Londres. Desde então Olave passou a ser reconhecida pelo nome de Olave Baden-Powell.


Últimos dias

Estátua de Robert Baden-Powell na cidade do Rio de Janeiro.

Fixaram residência no Quênia, num lugar tranquilo e com um panorama maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve. Onde morreu Baden-Powell, em 8 de Janeiro de 1941, faltando um pouco mais de um mês para completar 84 anos de idade. Encontra-se sepultado na Saint Peter's Churchyard, Nyeri, no Quénia.

Carta aos guias de patrulha (monitores)

"Quero que vocês, guias de patrulha, entrem em ação e adestrem as vossas Patrulhas inteiramente sozinhos e ao vosso jeito porque, para vocês, é perfeitamente possível pegar em cada rapaz da Patrulha e fazer dele um bom camarada, um verdadeiro Homem. De nada vale ter um ou dois rapazes admiráveis e o resto não prestar para nada. Vocês devem fazer deles inteiramente bons.

Para conseguir isso, a coisa mais importante é o próprio exemplo, porque, o que vocês fizerem, os vossos Escoteiros farão. Mostrem a todos eles que vocês sabem obedecer às ordens dadas, sejam elas ordens verbais, ou sejam regras que estejam escritas ou impressas; e que vocês cumprem as ordens, esteja ou não o Chefe escoteiro presente. Mostrem que conseguem conquistar distintivos de Especialidades e, com um pouco de persuasão, os vossos rapazes seguirão o vosso exemplo. Mas, lembrem-se que vocês devem guiá-los, e não empurrá-los."

Carta de despedida

"Escoteiros: Se vocês tiverem visto a peça "Peter Pan", deverão estar lembrados de que o chefe-pirata estava sempre fazendo o seu "discurso de moribundo", porque receava que, possivelmente, quando chegasse a hora de ele morrer, não tivesse mais tempo para dizer tais coisas.

Acontece quase a mesma coisa comigo e, assim, e embora neste momento eu não esteja morrendo - qualquer dia destes eu morrerei - , quero enviar a vocês uma palavra de despedida. Lembrem-se de que será a última vez que vocês ouvirão minhas palavras. Portanto, pensem bem nelas. Eu tenho tido uma vida muito feliz e quero que cada um de vocês também tenha uma vida feliz. Acredito que Deus nos colocou neste mundo alegre para que sejamos felizes e para aproveitarmos a vida. A felicidade não provém do fato de ser rico, nem meramente de ter sido bem sucedido na carreira; e, tampouco, de sermos indulgentes para com nós mesmos. Um passo na direção da felicidade é o de tornar-se saudável e forte enquanto se ainda é jovem, de sorte que possa vir a ser útil e aproveitar a vida quando for homem.

O estudo da natureza mostrará a vocês quão repleto de coisas belas e maravilhosas Deus fez o mundo para vocês aproveitarem. Alegrem-se com o que receberam e façam bom proveito disso. Olhem para o lado bom das coisas, ao invés do lado ruim delas. Contudo, a melhor maneira de obter felicidade é proporcionar felicidade a outras pessoas. Tentem deixar este mundo um pouco melhor do que o encontraram e, quando chegar a vez de morrerem, possam morrer felizes com o sentimento de que, pelo menos, não desperdiçaram o tempo, mas fizeram o melhor que puderam. Estejam preparados, desta maneira, para viverem e morrerem felizes, sempre fiéis à Promessa Escotista, até mesmo depois que deixarem de ser jovens - e que Deus os ajude a cumpri-la. Vosso amigo, Baden-Powell."

Bando de Imagens


















21 de fevereiro de 2024

BADEN-POWELL, UM HOMEM COM VOCAÇÃO DE SERVIÇO À JUVENTUDE

BADEN-POWELL,

UM HOMEM COM VOCAÇÃO DE SERVIÇO À JUVENTUDE

Baden-Powell with South African Wolf Cubs
and a group of South African Scouts
at the Third World Jamboree in 1929.

“Tente deixar este mundo em melhores condições do que o encontrou; desta forma, Quando chegar a hora de você morrer, você poderá fazê-lo com alegria, porque, pelo menos, você não perdeu o tempo e fiz todo o possível para fazer o bem."

(de "A Última Mensagem do Chefe", encontrada após sua morte, 8 de janeiro de 1941).

Para dar uma ideia da vitalidade e renovação contínua do Movimento Escoteiro é preciso conhecer a sua gênese; isto é, sabe como a Doutrina Escoteira se formou na mente do Fundador. Ele O nome Baden-Powell é conhecido e respeitado em todo o mundo como um homem que, em seus 83 anos de vida, se destacou em dois aspectos fundamental: como soldado que lutou pelo seu país e como promotor de paz através da irmandade do Escotismo.

Baden-Powell não era pedagogo nem filósofo. Ele era um homem prático e também um idealista elevado. Ele não escreveu livros enormes, mas ele publicou um conjunto de pequenos volumes, de indubitável utilidade pedagógica.


BADEN-POWELL, HERÓI DO IMPÉRIO INGLÊS

Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, conhecido pelas iniciais B.P., nasceu numero 06 da Stanhope Street (agora 11 Stanhope Terrace), no bairro londrino de Paddington em 22 de fevereiro de 1857. Foi o sexto menino e o oitavo dos dez filhos do reverendo Baden-Powell, professor da Universidade de Oxford. Sua mãe era filha do almirante W.T. Smyth e neta de Joseph Brewer, explorador da América. Seu padrinho foi Robert Stephenson, filho de George Stephenson, um pioneiro no transporte ferroviário. Pai de B.P. Ele morreu quando a criança tinha apenas três anos de idade, deixando a família sem muitos recursos económicos.

BP Ele recebeu seus primeiros ensinamentos de sua mãe e mais tarde começou a frequentar a escola de Rose Hill, em Tunbridge Wells, onde, aos treze anos, ganhou uma bolsa para estudar no Escola Charterhouse. No início esta escola ficava em Londres, mas em 1872 mudou.

Nas florestas circundantes B.P. Ele se escondeu de seus professores, caçava e cozinhava coelhos sem deixar que o ar revele sua posição.

Durante as férias ele também não perdeu tempo. Eu estava sempre em busca de aventuras seus irmãos. Certa vez, fizeram uma viagem ao longo da costa sul inglesa no iate "Kohinoor" adquirido por seus irmãos com a herança paterna e do qual B.P. Ele era cozinheiro. Em outra ocasião, Eles subiram o Tâmisa de canoa até a nascente do rio.

Tais aventuras ao ar livre não eram frequentes entre os jovens daquela época. As técnicas e artes que aprendeu. Eles foram muito úteis em sua vida posterior. BP Não tirei notas muito boas na escola, como nos revelam os seus boletins trimestrais (por exemplo: "em matemática abandonou completamente seus estudos" ou em Francês: "pode ​​correr bem, mas tornou-se vago e é muitas vezes dorme na aula").

Contudo, e em 1876, fez testes para entrou no exército e ficou em segundo lugar, para cavalaria, entre várias centenas de candidatos. Foi imediatamente nomeado, com o posto de segundo-tenente, dos 139º Hussardos dos quais mais tarde seria nomeado Coronel Honorário, sem necessidade de passar por cursos de formação de oficiais. Esse Nesse mesmo ano foi designado para a Índia, sendo um jovem oficial do exército especializado em exploração, mapeamento e reconhecimento.

Logo seu sucesso o levou a treinar outros soldados para tais tarefas. Os métodos de B.P. eram pouco ortodoxos para aquela época: pequenas unidades ou patrulhas que trabalhavam juntas sob um guia, recompensando aqueles que se saíram bem. BP recompensou a habilidade de seus alunos com insígnias que lembravam o modelo tradicional do ponto norte da bússola. O símbolo atual o escoteiro mundial é muito semelhante. Em 1883 foi promovido a Capitão, aos 26 anos.

Mais tarde, foi designado para os Bálcãs, África do Sul e Malta. Em 1889 recebeu o comando do 5 ª. dos Dragões, com guarnição em Merut (Índia). Servindo neste destacamento ele escreve um livro intitulado "Ajudas ao Escotismo". Dez anos depois, ele é designado novamente para a África para ajudar a defender a cidade de Mafeking durante os 217 dias de cerco no início de a Guerra dos Bôeres.

Sitiado no pequeno reduto, rodeado de grandes dificuldades e atacantes numeroso, Baden-Powell foi forçado em 13 de outubro de 1899 a solicitar e confiar serviços ao jovens de Mafeking. A bravura e os recursos demonstrados pelos filhos do corpo de mensageiros de Mafeking deixou uma impressão profunda nele. Em troca, suas façanhas chegaram à Inglaterra e Baden-Powell é promovido ao posto de Major General e torna-se um herói do Império.

Brownsea o primeiro acampamento escoteiro do mundo
No dia 1º de agosto de 1907

Ao retornar à Inglaterra em 1903, tornou-se um herói nacional, mas descobriu com surpresa que o livro que ele escreveu em Merut e dedicado aos soldados tenha sido usado como um livro de leitura por professores de todo o país para estimular a observação e as habilidades em natureza e, além disso, os líderes das Brigadas Católicas usaram-na como meio e instrumento educativo para os seus jovens. Baden-Powell reúne-se com o chefe nacional do Brigadas Católicas, Sir William Smith, e o faz ver que seu livro não foi escrito para ser um sistema programa educacional para meninos, ao qual o chefe das Brigadas respondeu: "Bom, aceite isso em realidade assim."

Como resultado desta entrevista, e por sugestão do próprio Sir William Smith, ele planeja escrever um livro para ensinar os meninos a serem fortes, defenderem-se, estarem prontos para servir para outros e assim criar cidadãos responsáveis ​​e livres. Em 1905 ele começou a trabalhar.


BADEN-POWELL, FUNDADOR DO MOVIMENTO ESCUTEIRO

Após repetidas entrevistas com pedagogos e trocas de impressões com líderes de organizações juvenis, em 1907, entre 1º e 9 de agosto, organizou, na Ilha de Brownsea, o primeiro acampamento experimental de escoteiros, com 24 meninos de todas as classes sociais, divididos em 4 patrulhas: tarambolas, corvos, lobos e touros. O sucesso foi tão estrondoso que no ano seguinte publicou em seis fascículos quinzenais, a quatro pence o exemplar, "Scouting for Boys". As As vendas do livro foram muito importantes e no final daquele mesmo ano já havia sido traduzido em cinco línguas.

Espontaneamente, grupos de meninos se reuniram para formar patrulhas escoteiras para implementar praticar essas ideias. O que foi pensado para a formação de organizações já existentes (fundamentalmente as Brigadas Juvenis e Y.M.C.A.) finalmente se tornaram o manual de um novo movimento mundial.

O grande conhecimento de B.P. dos jovens evidentemente despertou interesse na juventude Inglês e de todo o mundo. Desde então, "Scouting for Boys" foi traduzido para mais de 35 idiomas.

Em setembro de 1908 B.P. abriu um escritório para responder ao enorme número de perguntas isso veio até ele. O Escotismo se espalhou rapidamente por todo o Império Britânico e outros países, até que foi estabelecido em todas as partes do mundo.

primeiro acampamento escoteiro do mundo
No dia 1º de agosto de 1907

B.P., que partilhou as suas obrigações militares com as de animação da nascente escoteiro, aposentou-se do exército em 1910, aos 53 anos, graças ao conselho do rei Eduardo VII, que sugeriu-lhe que prestasse um serviço mais útil ao seu país no Escotismo.

Em 1909 algumas meninas participaram da primeira reunião de escoteiros no Crystal Palace em Londres e eles perguntaram a B.P. como eles poderiam ser batedores. Surgem então os Guias, cujo sistema de formação, o próprio BP inventaria. junto com sua irmã Inés. Em 1910 foram criados os escoteiros da marinha.

Em 1912, ano em que seria oficialmente reconhecido no Escotismo na Inglaterra, casou-se Senhorita Olive Saint Clair Soames, que ele conheceu em uma viagem às Índias Ocidentais. Ela era uma ajuda constante e companhia em seu trabalho. Eles tiveram três filhos (Peter, Heather e Betty). Olave (Senhora B.P.) mais tarde seria conhecida como World Chief Girl Guide.

Na estrutura do Escotismo ele é apresentado a B.P. um problema: o que fazer com o irmãozinhos dos escoteiros, que os acompanham com grande entusiasmo em muitas de suas operações e atividades? A resposta a esta questão foi a criação, em 1916, da sucursal de filhotes, ambientado em "O Livro das Terras Selvagens", de Rudyard Kipling (vencedor do Prêmio Nobel de literatura em 1907) e a publicação do "Manual do Cub".

Mais tarde, B.P. observa que alguns meninos se arrependem de ter deixado a tropa escoteira quando completando dezesseis anos, criou, em 1922, um palco especial para jovens chamado roverismo (ramo Rover), escrevendo para eles sua obra "Roverismo rumo ao sucesso". Desta maneira, O movimento escoteiro apresentou-se como uma organização educacional completa da juventude.


BADEN-POWELL, CHEFE ESCUTEIRO MUNDIAL

Na cerimónia de encerramento do primeiro Jamboree Escoteiro Internacional, que teve lugar no Salão Olympia em Londres, B.P. Ele foi aclamado por unanimidade como Escoteiro Chefe Mundial. Mais tarde Reuniões internacionais de olheiros e olheiros provaram que não era um título honorário, mas ele era realmente considerado o chefe de todos. Os gritos de entusiasmo que anunciavam A sua chegada e o silêncio que se seguiu quando levantou a mão provaram, sem sombra de dúvida, que Ele conquistou os corações e a imaginação de seus seguidores em qualquer país.

BP Ele viajou pelo mundo, onde quer que fosse mais necessário, para incentivar o crescimento e incutir o incentivo que só ele poderia dar, fruto do seu grande empenho no serviço à juventude. Então, BP visitou os Exploradores da Espanha em Madrid em 31 de outubro de 1018, em 1929 visitou Cádiz, Palma de Maiorca e Tenerife, parou em Gibraltar em 1934 e visitou novamente no ano seguinte Tenerife.

No terceiro Jamboree realizado em Arrowe Park, Birkenhead, Inglaterra, o Príncipe de País de Gales anunciou que Sua Majestade o Rei da Inglaterra, George V, concedido B.P. a posição de nobreza. Ele o fundador levaria o título de Lord Baden-Powell de Gilwell.

2º Jamboree Dinamarca 1924

Gilwell Park é o local adquirido em 1909 por doação da família MacLaren, e onde desde então na mesma data, são realizados cursos de capacitação para Chefes escoteiros. O Escotismo não foi o único ponto de interesse para B.P. Ele gostava de tocar música, pescar, jogar pólo e caçar. Foi muito bom artista fazendo desenhos e aquarelas. Também se ele estava interessado em escultura e cinema.

BP escreveu mais de 32 livros. Recebido nomeações honorárias de pelo menos seis universidades. Por outro lado, o rosto de Baden-Powell, que foi imortalizado em 1929 pela pintura pintada em pintura a óleo de David Jagger, sempre foi a de uma pessoa feliz, por ter feito tantos meninos felizes e meninas de todo o mundo. Seu trabalho foi amplamente reconhecido durante sua vida: ele recebeu 19 prêmios internacionais de escoteiros e foi 28 encomendas e condecorações, entre elas, em 1919, a Ordem de Afonso XII, de Espanha.

Em 1938, com a saúde já delicada, regressou a África, tão próxima da sua coração durante toda a sua vida, para viver uma espécie de retiro em Nyeri, no Quénia. Mesmo aí foi difícil o trabalho reduziu sua atividade e continuou escrevendo e desenhando, até sua morte em 8 de janeiro de 1941, aos 83 anos. Em Nyeri há um túmulo simples e nele estes detalhes: "Robert Stephenson Baden-Powell. 22 de fevereiro de 1857 - 8 de janeiro de 1941". E abaixo deste epitáfio o sinal final de caminho, como assinatura de uma missão cumprida ao serviço dos jovens de todo o mundo.

13 de fevereiro de 2024

A história do calendário escoteiro - Artes Escoteiras

Enquanto Rockwell trabalhava em seu estúdio, um membro da equipe do Boy Scouts of America o visitava para verificar os detalhes da pintura, pois cada pessoa retratada deveria ser a versão ideal de um escoteiro ou chefe de escoteiros, e o uniforme deveria ser ser retratado corretamente. As tendas e outros equipamentos ao ar livre utilizados pelos batedores nos painéis devem ser do tipo correto e não podem parecer excedentes do exército.

Após a conclusão do rascunho inicial do conselho, West e outros funcionários da Boy Scouts of America podem às vezes encontrar detalhes que precisam ser corrigidos.

Entre 1925 e 1976, Rockwell criou 49 placas para o Calendário Brown e Bigelow dos Escoteiros da América. Cada obra, com exceção da primeira pintura 'O Bom Escoteiro' de 1925 (que já havia sido publicada em revista), foi pintada especificamente para o calendário, e muitas das pinturas foram utilizadas pelos Escoteiros para fins secundários e para servir de capa para seus vários manuais. Por exemplo, três pinturas – Spirit of America, The Scouting Trail e Come and Get It – foram reutilizadas como ilustração da capa do Boy Scout Handbook.

The Adventure Trail foi usado como capa da edição de 1954 do Den Chief's Handbook, e The Scoutmaster serviu como capa da edição de 1960 do Scoutmaster's Handbook.

Depois que Rockwell se aposentou em 1976, a BSA pediu ao artista Joseph Csatari para assumir a série de calendários, então ele complementou o trabalho de Norman Rockwell com uma pintura para cada ano, e foi considerado um discípulo de Rockwell.

Entre 1977 e 1990, Csatari criou 14 pinturas para o calendário Brown & Bigelow da BSA, as pinturas foram usadas para mostrar Escoteiros em vários estados: Escoteiros, Rover, Escoteiros Marinhos e Escoteiros Aéreos, principalmente envolvidos em atividades ao ar livre.

Ele criou todas as ilustrações especificamente para o calendário, mas nenhuma das pinturas de Castari foi reutilizada em capas de livretos devido às baixas vendas. Em 1990, Brown e Bigelow cancelaram os calendários, e o Scoutmaster foi a última placa criada para a série.

Hoje, a maioria das pinturas está preservada no acervo do Museu Nacional do Escotismo. Desde 2020, elas foram vendidas ao museu como parte do pedido de falência, Capítulo 11, da Boy Scouts of America, e a organização listou as pinturas como ativos. O restante está em coleções particulares ou relacionadas a outros museus, como o Museu das Crianças de Indianápolis.

Nota: A imagem anexa, intitulada “The Scoutmaster”, é o último trabalho do artista Joseph Castari, que a submeteu ao Calendário Escoteiro Americano em 1990.

Líder/ Amer M Safi

1 de julho de 2023

Encouraçado São Paulo, a "A Esquadra Branca" e sua importância para o Escotismo no Brasil.



Encouraçado São Paulo, a "A Esquadra Branca" e sua importância para o Escotismo no Brasil.

O Encouraçado São Paulo foi um navio do tipo encouraçado (Dreadnought) da Marinha do Brasil, da Classe Minas Geraes. Foi o segundo navio da armada a receber este nome, em homenagem ao estado brasileiro de São Paulo.

Um pouco de sua história com base na enciclopédia livre

No início do século XX a Marinha do Brasil deu início ao um programa de modernização tecnológica e de aquisição de embarcações, visando recomplementar e reaparelhar a esquadra. Esta encontrava-se obsoleta desde o fim do Império, em 1889, entre outros fatores como:

- pela rápida evolução dos meios devido à corrida armamentista entre as nações industrializadas nomeadamente no último quartel do século XIX e na primeira década do século XX;
- pela falta da aquisição de novos meios por parte do governo republicano brasileiro, recém-implantado;
- em função dos prejuízos causados pelas duas Revoltas da Armada.

De acordo com as orientações do ministro das Relações Exteriores, José Maria da Silva Paranhos, o Barão do Rio Branco, e do ministro da Marinha, Júlio César de Noronha, em 1904, o governo do Presidente Rodrigues Alves encomendou em 1906, na Grã-Bretanha, três grandes navios encouraçados da "Classe Dreadnought" que, no Brasil, recebeu o nome de "Classe Minas Geraes". Entretanto, por pressões diplomáticas da Argentina, temerosa do poderio naval do Brasil, e por dificuldades de financiamento da compra dos navios, a encomenda inicial de três encouraçados foi reduzida para apenas dois, de 23.500 toneladas máximas de deslocamento, batizados com os nomes de "Minas Gerais" e "São Paulo".

Construído nos estaleiros Vickers, Sons & Maxim em Barrow-in-Furness, após o batimento de quilha, em 30 de abril de 1907, foi lançado ao mar, em 19 de abril de 1909 e incorporado em 12 de junho de 1910. Foi seu primeiro comandante, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Francisco Gavião Pereira Pinto, logo substituído pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra Francisco Marques Pereira de Souza.



Na sua viagem inaugural para o Brasil, conduziu o Presidente eleito Marechal Hermes da Fonseca, de Cherbourg para o Rio de Janeiro, tendo assistido, na escala em Lisboa, à Implantação da República Portuguesa, em meados de 5 de outubro de 1910.

Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942, fez parte do sistema de defesa do porto de Recife, em Pernambuco.

Esteve em serviço ativo até 1951, quando foi desincorporado. Naufragou no Oceano Atlântico, a caminho da demolição, no mesmo ano.


Suas Características são:

Deslocamento (toneladas): 17 274 (leve); 19 250 (normal) e 21 500 (máximo).

Dimensões:
Comprimento total - 165,61 metros
Boca - 23,31 metros
Pontal - 12,81 metros
Calado - 8,54 metros

Blindagem:
Casco - 229 mm à meia nau e 152 mm na proa e na popa
Torres principais - 229 mm na parte da frente e 203 mm nas laterais
Convés - 51 mm

Sistema Bullivan de rede metálica anti-torpédica, envolvendo o casco a quatro metros da linha d'água e três metros do costado.

Propulsão: 18 caldeiras a carvão; 2 máquinas a vapor de tríplice expansão, gerando 23 500 bhp, acopladas a dois eixos com hélices de quatro pás.

Combustível: 2750 toneladas de carvão distribuídas em 36 carvoeiras.

Velocidade: velocidade máxima 19,6 ; velocidade de cruzeiro 9,4 nós.

Autonomia: 10 200 milhas náuticas à velocidade média máxima e 14 200 milhas à velocidade econômica de cruzeiro.

Aguada: dois destiladores com capacidade para 70 ton/dia de água potável.

Armamento: 12 canhões Armstrong de 12 pol/45 cal. (305 mm) em seis torres duplas; 22 canhões Armstrong de 4,7 pol/50 cal. (120 mm) e 8 canhões Armstrong de 47 mm/50 cal. em reparos singelos, que podiam ser transferidos e utilizados nas lanchas para apoio a operações de desembarque.

Tripulação: 1173 homens, 138 oficiais e suboficiais e 1035 praças.


A importância histórica dos encouraçados no Movimento Escoteiro Brasileiro

Pois em 17 de abril de 1910 o Encouraçado Minas Gerais, junto com a conhecida "Esquadra Branca", a frota de guerra do Brasil que foi construída na Inglaterra chega ao Brasil trazidos pela Marinha de Guerra. Os primeiros manuais, uniformes e escoteiros brasileiros, filhos de alguns de sub-oficiais e oficiais que estavam a serviço na Inglaterra, os quais fizeram parte do início do Movimento Escoteiro naquele país, também chegaram com a Frota. O Oficial Amélio de Azevedo Marques teve seu filho, Aurélio Azevedo Marques, o primeiro Boy Scout brasileiro, que fez promessa na Inglaterra, e junto com os demais marinheiros é considerado o introdutor do Escotismo no Brasil.

A primeira notícia sobre o Escotismo publicada no Brasil foi no dia 1º de dezembro de 1909, no número 13 da revista Ilustração Brasileira editada no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, e com circulação nacional. A reportagem tinha o título: Scouts e a Arte de Scrutar; ocupava três páginas e apresentava 7 fotografias. A matéria fora preparada na Inglaterra pelo 1º Tenente da Marinha de Guerra Eduardo Henrique Weaver, onde se encontrava a serviço. Teve, assim, a oportunidade de presenciar o nascimento do Movimento Escoteiro – Scouting for Boys, criado em 1907 pelo General Inglês Baden-Powell – B-P Na época, juntamente com o Tenente Weaver, encontrava-se na Inglaterra numeroso contingente de Oficiais e Praças da Marinha – preparava-se para guarnecer os novos navios da esquadra brasileira em construção.

Quando da vinda para o Brasil, os militares trouxeram consigo uniformes escoteiros ingleses, que tinham o valor de trinta libras esterlinas. O Encouraçado "Minas Gerais", navio onde estava embarcada a maioria dos militares interessados em trazer para o Brasil o Movimento Escoteiro, chegou ao Rio de Janeiro em 17 de abril de 1910. No dia 14 de junho do mesmo ano, na casa número 13 da Rua do Chichorro no Catumbi, Rio de Janeiro, reuniram-se, formalmente, todos interessados pelo escotismo e embarcados nos navios que haviam chegado ao Brasil. Naquele local foi oficialmente fundado o Centro de boys Scouts do Brasil.

O evento foi informado aos jornais, os quais publicaram a carta recebida da Comissão Diretora. A correspondência enviada começava nos seguintes termos: À imprensa desta capital, brilhante e poderoso fator de progresso, campeã de todas as idéias nobres, vem o Centro de Boys Scouts do Brasil, solicitar o auxílio de sua boa vontade, o esteio de que necessita para que em todos os lares brasileiros penetre o conhecimento do quanto à Pátria pode ser útil a instrução dos Boys Scouts.

5 de setembro de 2022

O Primeiro Curso Oficial da Insígnia de Madeira no Parque de Gilwell

Mais uma vez, reproduzimos o livro “Tradições Escoteiras — O Parque de Gilwell e a Insígnia de Madeira”, de Moacir Starosta, membro atuante da Patrulha Jaguatirica. Uma obra realmente de referência!


O primeiro curso de que nós, atualmente, chamamos de Curso da Insígnia de Madeira ocorreu no Parque de Gilwell, em 08 de setembro, uma segunda-feira até o dia 19 de setembro, uma sexta-feira, de 1919.

Ele teria simplesmente o nome de Curso Oficial de Treinamento de Escoteiros.

Ao término do curso, uma questão surgiu na mente de Baden-Powell, o fundador do escotismo.

Como deveria ser o distintivo especial concedido aos chefes que fossem aprovados no curso?

O Chefe Escoteiro então, disse: “Não permitiremos dar a eles um distintivo normal, daremos justamente um pedaço de madeira e uma tira de couro que chamaremos de ‘Insígnia de Madeira’”.

Eis algumas citações sobre o Parque de Gilwell e o Curso da Insígnia de Madeira:

A cerimônia de abertura do Campo Escola de Treinamento, Parque de Gilwell, teve lugar no sábado, 26 de julho de 1919.

O Parque de Gilwell foi doado pelo Senhor William Frederick Du Bois Maclaren, Comissário Distrital de Rosneath, Umbartonshire, para ser utilizado como Centro de Treinamento de Chefes Escoteiros e local para acampamentos de escoteiros.

O Chefe Escoteiro agradeceu o senhor Maclaren por sua generosa doação, presenteando-o com a Ordem do “Lobo de Prata” que era a mais alta condecoração da Associação Escoteira Britânica na época, por conseguinte, do Movimento Escoteiro Mundial.

(Headquarters Gazette, August 1919.)

O primeiro curso (Insígnia de Madeira) realizado no Campo Escola de Treinamento…

Obteve uma grande representatividade, com vinte Chefes Escoteiros vindos de todas as partes da Inglaterra e País de Gales, possuindo uma variedade grande de idades e profissões.

Francis Gidney, Chefe de Campo, Outubro de 1919

 A Cerimônia de Abertura do Parque de Gilwell teve lugar em 26 de Julho de 1919, com um tempo perfeito. A Senhora Maclaren cortou uma fita verde e amarela, as quais eram as cores do Escotismo naquela época. Este fato marcou a muitos, por ser inédito cortar uma fita em sinal de inauguração de um local.

O segundo curso da Insígnia de Madeira foi realizado por quatro fins de semana, em Gilwell durante os meses de abril e maio de 1920.

O terceiro, quarto, quinto, sexto e sétimo cursos foram realizados posteriormente, nos finais de semana, durante o ano de 1920.

Em 1921, a duração dos cursos foi revisada para dez dias seguidos, começando em uma segunda-feira e sendo concluído em uma quarta-feira.

Em 1919, depois do primeiro curso, o sistema de progressão foi anunciado: Uma conta pendurada na casa do botão para quem obtivesse aprovação na parte teórica e prática (Parte I e II); uma conta no cordel do chapéu e, um diploma para quem obtivesse aprovação na parte teórica e prática e, 18 meses de resultados práticos (Partes I, II e III); duas contas no cordel do chapéu e o diploma para quem fosse aprovado com especial qualificação para ser um Chefe de Campo – somente para cursos realizados no Parque de Gilwell. (Headquarters Gazette, Novembro de 1921.)

Eis os estudos feitos pelo próprio criador da Insígnia de Madeira e seus respectivos usos.

Utilização na casa do botão da camisa escoteira
Utilização na aba do chapéu escoteiro
Utilizado ao redor do pescoço e modelo utilizado até os dias de hoje
Utilizado pelos chefes de lobinhos, Akelas

Em maio de 1919, o capitão Francis Gidney foi escolhido como Chefe de Campo.

Em junho, o mesmo publicou um pequeno artigo no Headquartes Gazette sobre Gilwell:

“Gilwell será ‘O Centro de Treinamento Oficial’, onde os Chefes Escoteiros e, todos os que quiserem se tornar um Chefe Escoteiro farão seu treinamento com competentes e experientes Chefes Escoteiros em sua formação e treinamento de tropas, práticas de trabalhos com madeiras e técnicas de campo, além do método escoteiro de uma forma geral”.

Richard Francis “John” Thurman – terceiro chefe de Campo do Parque de Gilwell (1943 –1969) disse:

John Thurman

“Talvez pareça um contra-senso dizer que o espírito de um homem permaneça depois que ele tenha desaparecido. Porém, no caso de B-P e a forma que ele influiu em Gilwell, constitui-se em uma grande verdade. É o espírito da alegria, da tolerância e da camaradagem, de reflexão, de preparação e generosidade que se esboçou em seu livro Escotismo para Rapazes (Aids to Scouting) e que, através dos anos, tem se espalhado de Gilwell para o mundo. Portanto, o lugar trata de manter vivo o espírito do melhor dos ensinamentos de B-P, que se manterá vivo não por sentimentalismo, mas sim, porque é uma mensagem eterna e, todo mundo atual necessita da medicina que ele nos forneceu de forma tão generosa.”

O Primeiro Curso da Insígnia de Madeira – Um Pouco da História

Francis “Skipper” Gidney, o Chefe de Campo, era um jovem que serviu o exército como capitão durante a primeira Grande Guerra e tinha uma força vital enorme, sendo considerada uma pessoa muito importante na visão de Baden-Powell, com um “tremendo espírito”, sendo que seu Assistente de Campo era o capitão F. S. Morgan, Comissário do Distrito de Swansea.

Baden-Powell visitou o campo na sexta-feira à noite, dia 12 e no sábado, dia 13, juntamente com o Capitão A. G. Wade, seu Secretário Assistente na Associação Escoteira (a esposa do Capitão Wade – Mrs. Eileen K. Wade – foi a secretária particular de B-P por 27 anos, além de ser sua biógrafa oficial).

O Capitão Wade foi quem organizou o Primeiro Encontro de Escoteiros do Mundo em 1920, chamado de Jamboree Mundial em Olímpia, Inglaterra.

O fundador discorreu sobre o tema: como seguir pistas, no domingo pela manhã, com suas tradicionais anedotas. Outros distintos Chefes Escoteiros que proferiram algumas palestras como instrutores foram: o Comissário Deputado de Campo Coronel Ulick G.C. de Burgh, o Chefe Escoteiro Percy Witt Everett, Hubert S. Martin (mais tarde Diretor do Bureau Mundial), R.S. Wood (quem comandou Gilwell quando Gidney estava doente), P. B. Nevill, o reverendo R. Hyde e o Secretário Assistente do Quartel General Imperial D. F. Morgan.

Os alunos aproveitaram o bom tempo durante o curso, com exceção de um dia quando caiu uma forte tormenta que, Gidney descreveria: “também teve seu valor instrutivo”.

Abaixo está a foto oficial do curso, tradição esta que continua em Gilwell até os dias de hoje, as quais podem ser consultadas nos álbuns de fotos que estão na biblioteca de Gilwell.

Nesta abaixo, estão relacionados os participantes que foram divididos em três patrulhas, cada uma tendo o seu período como monitor, sub monitor, menos graduado e em todos os cargos da patrulha, incluindo a cozinha.

Apesar de em alguns esquemas de acampamento o almoço ser a principal refeição do dia, Gidney optou por ser o jantar, a fim de assegurar que ninguém perdesse alguma instrução quando estivesse cozinhando.

Alguns nomes, com o passar dos anos, podem ter sido perdidos, mas a maioria das fotos contém nomes, países e algumas vezes o “posto” que o mesmo ocupou, costume mantido até os dias de hoje nos cursos realizados no Parque de Gilwell.

Foto Oficial dos Alunos do Primeiro Curso da Insígnia de Madeira, acervo The Scout Association, UK

Alunos participantes do primeiro Curso de Gilwell:

Maj. Rev. C.P. Hines, Gt. Yarmouth;
C. Robson, Colchester;
L.J. Berlin, Manchester;
Rev. W.A. Butler, Sussex;
M.F. Bunt, Sussex;
J.R. Davies, Cheshire;
J.F. Wilkinson, Cheshire;
A.W. Todd, Cheshire;
E. Fay, Yorkshire;
J. Kent, Essex;
Ronald Firth, Suffolk;
R. Hammond, London;
C.C. Eiffe, London;
Rev. H.W. Nevill, London;
S. Phillips, London;
D. Earle, London;
Rev. W.E. Baker, London;
R. Lang, Cambridge;

Don Potter;

J. Durell.

Treinadores ou Instrutores:

Baden-Powell e Major Wade, presentes somente por dois dias do curso.

John “Skipper” Gidney como Chefe de Campo e Capitão Morgan como Assistente de Campo.

Como muitas das fotos dos primórdios do Escotismo, alguns aspectos geram perguntas.

Baden-Powell está sentado ao centro do grupo, com diversos integrantes com diversos uniformes de cores diferentes. Ladeando B-P está o Chefe de Campo “Skipper” Gidney e seu Assistente de Campo, o capitão Morgan à direita de B-P.

Supõe-se que o Capitão A. G. Wade, conjuntamente, com B-P, estiveram somente dois dias em campo, sendo que o Major A. G. Wade não aparece na foto.

A lista nomeia dezoito participantes, os quais foram identificados nesta foto, descobriu-se que o aluno que faltaria ser identificado na foto seria Leslie J. Berlin, bem como, outros dois alunos que seriam J. Durell e Don Potter.

Assim teríamos 20 alunos e quatro instrutores identificados, sendo que dois deles não estariam na foto, A. G. Wade e, um instrutor “misterioso”, que não foi possível ser identificado, citado nos relatórios do curso, o mesmo também não estaria na foto.

Segue abaixo o possível programa diário de como era desenvolvido o curso:

7:00 h. O som do corno de Kudoo atravessa o campo – alvorada.

9:30 h. O café da manhã é preparado e servido pelo cozinheiro e intendente de cada dia, sendo feita à inspeção.

Quebra-gelo, orações, jogos, trabalhos.

Almoço acelerado.

Horas restantes.

(Uma hora misteriosa que “Deve ser experimentada, para ser acreditada”, em Gilwell acredita-se que “O melhor lazer, é o trabalho”.

Um lema, em Gilwell, que é seguido até hoje.)

Sessão de trabalho

18:30 h. Final dos Trabalhos – trabalhos com pioneiria, preparação do jantar, distribuição das rações.

21:30 h. Fogo de Conselho – toda a patrulha e o monitor são responsáveis pelo Fogo de Conselho de forma rotativa.

Oração do final do dia. Palavra final do Chefe de Campo.

No último dia, além da inspeção final, o desmonte de campo, os participantes deveriam retirar seus lenços cinza, confeccionados com camisas velhas do exército inglês pelo próprio Baden-Powell, e trocá-los pelos seus lenços de tropa, bem como, o arriamento final das bandeiras e as orações finais.

Existem controvérsias quanto ao uso de lenços escoteiros, pois se acredita que nesta época muitos utilizavam gravatas, costume que foi abandonado, pois foi adotado o uso do lenço escoteiro que abordarei mais adiante.

A última refeição do curso da Insígnia de Madeira não foi preparada pelos participantes, mas foi oferecida em Londres, na sede escoteira, onde Everett os recebeu para um almoço festivo, costume utilizado até os dias de hoje, nos cursos em Gilwell Park.

Então, os participantes fizeram um passeio nos escritórios e finalmente tiveram uma conversa com o Chefe Escoteiro, B-P, que os encorajou a começarem um curso em sua vizinhança usando como guia do curso o livro Guia do Chefe Escoteiro (Aids to Scoutermastership).

Findo o curso, o Chefe Escoteiro os concedeu uma conta do colar original de Dinizulu para ser utilizada presa ao chapéu escoteiro, pendurada em uma correia de couro.

Muitas são as tradições escoteiras criadas por B-P para o Movimento Escoteiro, para que todos conheçam alguns aspectos sobre elas, durante o seguimento deste livro abordarei as mesmas sob aspectos históricos, especialmente, sobre os símbolos da Insígnia de Madeira.

Por: Ricardo Coelho dos Santos


Texto Original: https://patrulhajaguatirica.wordpress.com/2022/09/03/o-primeiro-curso-oficial-da-insignia-de-madeira-no-parque-de-gilwell-fatos-historicos/