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5 de setembro de 2022

O Primeiro Curso Oficial da Insígnia de Madeira no Parque de Gilwell

Mais uma vez, reproduzimos o livro “Tradições Escoteiras — O Parque de Gilwell e a Insígnia de Madeira”, de Moacir Starosta, membro atuante da Patrulha Jaguatirica. Uma obra realmente de referência!


O primeiro curso de que nós, atualmente, chamamos de Curso da Insígnia de Madeira ocorreu no Parque de Gilwell, em 08 de setembro, uma segunda-feira até o dia 19 de setembro, uma sexta-feira, de 1919.

Ele teria simplesmente o nome de Curso Oficial de Treinamento de Escoteiros.

Ao término do curso, uma questão surgiu na mente de Baden-Powell, o fundador do escotismo.

Como deveria ser o distintivo especial concedido aos chefes que fossem aprovados no curso?

O Chefe Escoteiro então, disse: “Não permitiremos dar a eles um distintivo normal, daremos justamente um pedaço de madeira e uma tira de couro que chamaremos de ‘Insígnia de Madeira’”.

Eis algumas citações sobre o Parque de Gilwell e o Curso da Insígnia de Madeira:

A cerimônia de abertura do Campo Escola de Treinamento, Parque de Gilwell, teve lugar no sábado, 26 de julho de 1919.

O Parque de Gilwell foi doado pelo Senhor William Frederick Du Bois Maclaren, Comissário Distrital de Rosneath, Umbartonshire, para ser utilizado como Centro de Treinamento de Chefes Escoteiros e local para acampamentos de escoteiros.

O Chefe Escoteiro agradeceu o senhor Maclaren por sua generosa doação, presenteando-o com a Ordem do “Lobo de Prata” que era a mais alta condecoração da Associação Escoteira Britânica na época, por conseguinte, do Movimento Escoteiro Mundial.

(Headquarters Gazette, August 1919.)

O primeiro curso (Insígnia de Madeira) realizado no Campo Escola de Treinamento…

Obteve uma grande representatividade, com vinte Chefes Escoteiros vindos de todas as partes da Inglaterra e País de Gales, possuindo uma variedade grande de idades e profissões.

Francis Gidney, Chefe de Campo, Outubro de 1919

 A Cerimônia de Abertura do Parque de Gilwell teve lugar em 26 de Julho de 1919, com um tempo perfeito. A Senhora Maclaren cortou uma fita verde e amarela, as quais eram as cores do Escotismo naquela época. Este fato marcou a muitos, por ser inédito cortar uma fita em sinal de inauguração de um local.

O segundo curso da Insígnia de Madeira foi realizado por quatro fins de semana, em Gilwell durante os meses de abril e maio de 1920.

O terceiro, quarto, quinto, sexto e sétimo cursos foram realizados posteriormente, nos finais de semana, durante o ano de 1920.

Em 1921, a duração dos cursos foi revisada para dez dias seguidos, começando em uma segunda-feira e sendo concluído em uma quarta-feira.

Em 1919, depois do primeiro curso, o sistema de progressão foi anunciado: Uma conta pendurada na casa do botão para quem obtivesse aprovação na parte teórica e prática (Parte I e II); uma conta no cordel do chapéu e, um diploma para quem obtivesse aprovação na parte teórica e prática e, 18 meses de resultados práticos (Partes I, II e III); duas contas no cordel do chapéu e o diploma para quem fosse aprovado com especial qualificação para ser um Chefe de Campo – somente para cursos realizados no Parque de Gilwell. (Headquarters Gazette, Novembro de 1921.)

Eis os estudos feitos pelo próprio criador da Insígnia de Madeira e seus respectivos usos.

Utilização na casa do botão da camisa escoteira
Utilização na aba do chapéu escoteiro
Utilizado ao redor do pescoço e modelo utilizado até os dias de hoje
Utilizado pelos chefes de lobinhos, Akelas

Em maio de 1919, o capitão Francis Gidney foi escolhido como Chefe de Campo.

Em junho, o mesmo publicou um pequeno artigo no Headquartes Gazette sobre Gilwell:

“Gilwell será ‘O Centro de Treinamento Oficial’, onde os Chefes Escoteiros e, todos os que quiserem se tornar um Chefe Escoteiro farão seu treinamento com competentes e experientes Chefes Escoteiros em sua formação e treinamento de tropas, práticas de trabalhos com madeiras e técnicas de campo, além do método escoteiro de uma forma geral”.

Richard Francis “John” Thurman – terceiro chefe de Campo do Parque de Gilwell (1943 –1969) disse:

John Thurman

“Talvez pareça um contra-senso dizer que o espírito de um homem permaneça depois que ele tenha desaparecido. Porém, no caso de B-P e a forma que ele influiu em Gilwell, constitui-se em uma grande verdade. É o espírito da alegria, da tolerância e da camaradagem, de reflexão, de preparação e generosidade que se esboçou em seu livro Escotismo para Rapazes (Aids to Scouting) e que, através dos anos, tem se espalhado de Gilwell para o mundo. Portanto, o lugar trata de manter vivo o espírito do melhor dos ensinamentos de B-P, que se manterá vivo não por sentimentalismo, mas sim, porque é uma mensagem eterna e, todo mundo atual necessita da medicina que ele nos forneceu de forma tão generosa.”

O Primeiro Curso da Insígnia de Madeira – Um Pouco da História

Francis “Skipper” Gidney, o Chefe de Campo, era um jovem que serviu o exército como capitão durante a primeira Grande Guerra e tinha uma força vital enorme, sendo considerada uma pessoa muito importante na visão de Baden-Powell, com um “tremendo espírito”, sendo que seu Assistente de Campo era o capitão F. S. Morgan, Comissário do Distrito de Swansea.

Baden-Powell visitou o campo na sexta-feira à noite, dia 12 e no sábado, dia 13, juntamente com o Capitão A. G. Wade, seu Secretário Assistente na Associação Escoteira (a esposa do Capitão Wade – Mrs. Eileen K. Wade – foi a secretária particular de B-P por 27 anos, além de ser sua biógrafa oficial).

O Capitão Wade foi quem organizou o Primeiro Encontro de Escoteiros do Mundo em 1920, chamado de Jamboree Mundial em Olímpia, Inglaterra.

O fundador discorreu sobre o tema: como seguir pistas, no domingo pela manhã, com suas tradicionais anedotas. Outros distintos Chefes Escoteiros que proferiram algumas palestras como instrutores foram: o Comissário Deputado de Campo Coronel Ulick G.C. de Burgh, o Chefe Escoteiro Percy Witt Everett, Hubert S. Martin (mais tarde Diretor do Bureau Mundial), R.S. Wood (quem comandou Gilwell quando Gidney estava doente), P. B. Nevill, o reverendo R. Hyde e o Secretário Assistente do Quartel General Imperial D. F. Morgan.

Os alunos aproveitaram o bom tempo durante o curso, com exceção de um dia quando caiu uma forte tormenta que, Gidney descreveria: “também teve seu valor instrutivo”.

Abaixo está a foto oficial do curso, tradição esta que continua em Gilwell até os dias de hoje, as quais podem ser consultadas nos álbuns de fotos que estão na biblioteca de Gilwell.

Nesta abaixo, estão relacionados os participantes que foram divididos em três patrulhas, cada uma tendo o seu período como monitor, sub monitor, menos graduado e em todos os cargos da patrulha, incluindo a cozinha.

Apesar de em alguns esquemas de acampamento o almoço ser a principal refeição do dia, Gidney optou por ser o jantar, a fim de assegurar que ninguém perdesse alguma instrução quando estivesse cozinhando.

Alguns nomes, com o passar dos anos, podem ter sido perdidos, mas a maioria das fotos contém nomes, países e algumas vezes o “posto” que o mesmo ocupou, costume mantido até os dias de hoje nos cursos realizados no Parque de Gilwell.

Foto Oficial dos Alunos do Primeiro Curso da Insígnia de Madeira, acervo The Scout Association, UK

Alunos participantes do primeiro Curso de Gilwell:

Maj. Rev. C.P. Hines, Gt. Yarmouth;
C. Robson, Colchester;
L.J. Berlin, Manchester;
Rev. W.A. Butler, Sussex;
M.F. Bunt, Sussex;
J.R. Davies, Cheshire;
J.F. Wilkinson, Cheshire;
A.W. Todd, Cheshire;
E. Fay, Yorkshire;
J. Kent, Essex;
Ronald Firth, Suffolk;
R. Hammond, London;
C.C. Eiffe, London;
Rev. H.W. Nevill, London;
S. Phillips, London;
D. Earle, London;
Rev. W.E. Baker, London;
R. Lang, Cambridge;

Don Potter;

J. Durell.

Treinadores ou Instrutores:

Baden-Powell e Major Wade, presentes somente por dois dias do curso.

John “Skipper” Gidney como Chefe de Campo e Capitão Morgan como Assistente de Campo.

Como muitas das fotos dos primórdios do Escotismo, alguns aspectos geram perguntas.

Baden-Powell está sentado ao centro do grupo, com diversos integrantes com diversos uniformes de cores diferentes. Ladeando B-P está o Chefe de Campo “Skipper” Gidney e seu Assistente de Campo, o capitão Morgan à direita de B-P.

Supõe-se que o Capitão A. G. Wade, conjuntamente, com B-P, estiveram somente dois dias em campo, sendo que o Major A. G. Wade não aparece na foto.

A lista nomeia dezoito participantes, os quais foram identificados nesta foto, descobriu-se que o aluno que faltaria ser identificado na foto seria Leslie J. Berlin, bem como, outros dois alunos que seriam J. Durell e Don Potter.

Assim teríamos 20 alunos e quatro instrutores identificados, sendo que dois deles não estariam na foto, A. G. Wade e, um instrutor “misterioso”, que não foi possível ser identificado, citado nos relatórios do curso, o mesmo também não estaria na foto.

Segue abaixo o possível programa diário de como era desenvolvido o curso:

7:00 h. O som do corno de Kudoo atravessa o campo – alvorada.

9:30 h. O café da manhã é preparado e servido pelo cozinheiro e intendente de cada dia, sendo feita à inspeção.

Quebra-gelo, orações, jogos, trabalhos.

Almoço acelerado.

Horas restantes.

(Uma hora misteriosa que “Deve ser experimentada, para ser acreditada”, em Gilwell acredita-se que “O melhor lazer, é o trabalho”.

Um lema, em Gilwell, que é seguido até hoje.)

Sessão de trabalho

18:30 h. Final dos Trabalhos – trabalhos com pioneiria, preparação do jantar, distribuição das rações.

21:30 h. Fogo de Conselho – toda a patrulha e o monitor são responsáveis pelo Fogo de Conselho de forma rotativa.

Oração do final do dia. Palavra final do Chefe de Campo.

No último dia, além da inspeção final, o desmonte de campo, os participantes deveriam retirar seus lenços cinza, confeccionados com camisas velhas do exército inglês pelo próprio Baden-Powell, e trocá-los pelos seus lenços de tropa, bem como, o arriamento final das bandeiras e as orações finais.

Existem controvérsias quanto ao uso de lenços escoteiros, pois se acredita que nesta época muitos utilizavam gravatas, costume que foi abandonado, pois foi adotado o uso do lenço escoteiro que abordarei mais adiante.

A última refeição do curso da Insígnia de Madeira não foi preparada pelos participantes, mas foi oferecida em Londres, na sede escoteira, onde Everett os recebeu para um almoço festivo, costume utilizado até os dias de hoje, nos cursos em Gilwell Park.

Então, os participantes fizeram um passeio nos escritórios e finalmente tiveram uma conversa com o Chefe Escoteiro, B-P, que os encorajou a começarem um curso em sua vizinhança usando como guia do curso o livro Guia do Chefe Escoteiro (Aids to Scoutermastership).

Findo o curso, o Chefe Escoteiro os concedeu uma conta do colar original de Dinizulu para ser utilizada presa ao chapéu escoteiro, pendurada em uma correia de couro.

Muitas são as tradições escoteiras criadas por B-P para o Movimento Escoteiro, para que todos conheçam alguns aspectos sobre elas, durante o seguimento deste livro abordarei as mesmas sob aspectos históricos, especialmente, sobre os símbolos da Insígnia de Madeira.

Por: Ricardo Coelho dos Santos


Texto Original: https://patrulhajaguatirica.wordpress.com/2022/09/03/o-primeiro-curso-oficial-da-insignia-de-madeira-no-parque-de-gilwell-fatos-historicos/

13 de dezembro de 2021

As Réplicas do Colar de Dinizulu Existentes no Mundo, Reconhecidas pelo Movimento Escoteiro

Mais uma vez, voltamos à continuidade do excelente livro “Tradições Escoteiras — O Parque de Gilwell e a Insígnia de Madeira” do Jaguatirica Moacir Starosta.


Para marcar o XII Jamboree Mundial, ocorrido em Idaho, Estados Unidos e o 60º Aniversário do Movimento Escoteiro em 1967, os escoteiros da África do Sul conjuntamente com rovers europeus, confeccionaram quatro réplicas do colar de Rei Dinizulu.

Depois de intensas buscas por material e meses de duro trabalho, quatro reproduções foram completadas.

Um dos colares foi conservado pelos escoteiros da África do Sul, como uma grata recordação histórica da terra de origem do emblema da Insígnia de Madeira, e os outros três foram doados para o Jamboree onde cada um deles foi presenteado solenemente a R. T. Lund em nome do Bureau Mundial dos Escoteiros, ao Chefe Escoteiro Executivo Joe Brunton em nome dos Escoteiros Americanos (BSA) e o Chefe de Campo John Thurman em nome do Parque de Gilwell. Além destas réplicas, poderão existir outras espalhadas pelo mundo.

Relata-se que, um ano após, ou então, após a Insígnia de Madeira ter sido instituída, um escotista observador teria visitado um mercado ao ar livre a leste oriental de Londres, em Portobello Road, aonde existiria uma barraca onde fora avistado uma cópia fiel do colar de contas.

Ele prontamente o comprou e a enviou a Gilwell, mas sem o reconhecimento do Movimento Escoteiro, como sendo réplicas vinculadas à história que envolveu B-P e Dinizulu.

Revista World Scouting, setembro de 1967.

Quatro Escoteiros zulus exibem uma das réplicas do colar de Dinizulu, 1967. Eles são, da esquerda para a direita, Xolan Mseka, Leonard Ndhlovu, Jerome Nkhize e Harvey Khuzwayo de Durban, Natal, África do Sul — foto de Eileen Bery Smith©, 1967.

7 de agosto de 2021

A Insígnia de Madeira em seus Vários Graus e Utilização no Movimento Escoteiro nas Diversas Seções

Voltamos hoje a mais um trecho do livro “Tradições Escoteiras — O Parque de Gilwell e a Insígnia de Madeira” do Jaguatirica Moacir Starosta.

Aproveitamos para manifestar nosso imenso alívio dele ter sobrevivido à covid-19. Muita saúde pra você, Moacir!


Para o Ramo Lobinho, B-P teria utilizado por um breve período, primeiramente, unhas de lobo e após dentes de lobo, nos anos de 1921 e 1923, costume logo abandonado por ser considerado ecológico incorreto.

Entre os anos de 1923 e 1925, uma pequena esfera de madeira teria sido utilizada acima do nó, com três cores: amarelo, verde e vermelho, de acordo com o ramo que o escotista pertencesse.

Além destes costumes, que não prosperaram, surgiu um que perdura até os dias de hoje, que seria a quarta e a terceira conta do colar, sendo a quarta conta conferida aos Deputados de Campo e aos Akelas Lideres (termos em desuso), atualmente Diretores de Cursos da Insígnia de Madeira. Aos Assistentes Lideres de Treinamento (termo também em desuso), atuais Diretores de Curso Intermediário, era concedida a terceira conta.

Cabe ressaltar, que uma das contas concedidas era original do colar de Dinizulu aos integrantes dos primeiros cargos após sua instituição.

Existiu uma pessoa que poderia utilizar cinco contas, seu nome era William Hillcourt, mais conhecido por “Green Bar Bill” em alusão à insígnia dos monitores de patrulha da Boy Scouts of America, associação escoteira dos Estados Unidos, a qual foi a pessoa que introduziu o esquema de formação de escotistas em nível avançado (Curso da Insígnia de Madeira) nos Estados Unidos e, trabalhou arduamente pelo desenvolvimento da formação de adultos fora de Gilwell, publicando inúmeros livros.

Em reconhecimentos por seus valiosos serviços prestados a formação de adultos, foi entregue a ele, em Gilwell em 1969, uma quinta conta retirada do colar original de Dinizulu, costume que desapareceu com sua morte.

Faleceu em 10 de novembro de 1992, aos 92 anos, três meses e três dias.