Encouraçado São Paulo, a "A Esquadra Branca" e sua importância
para o Escotismo no Brasil.
O Encouraçado São Paulo foi um navio do tipo encouraçado (Dreadnought) da
Marinha do Brasil, da Classe Minas Geraes. Foi o segundo navio da armada a
receber este nome, em homenagem ao estado brasileiro de São Paulo.
Um pouco de sua história com base na enciclopédia livre
No início do século XX a Marinha do Brasil deu início ao um programa de
modernização tecnológica e de aquisição de embarcações, visando recomplementar
e reaparelhar a esquadra. Esta encontrava-se obsoleta desde o fim do Império,
em 1889, entre outros fatores como:
- pela rápida evolução dos meios devido à corrida armamentista
entre as nações industrializadas nomeadamente no último quartel do século XIX e
na primeira década do século XX;
- pela falta da aquisição
de novos meios por parte do governo republicano brasileiro, recém-implantado;
- em função dos prejuízos causados pelas duas Revoltas da
Armada.
De acordo com as orientações do ministro das Relações Exteriores, José
Maria da Silva Paranhos, o Barão do Rio Branco, e do ministro da Marinha, Júlio
César de Noronha, em 1904, o governo do Presidente Rodrigues Alves encomendou
em 1906, na Grã-Bretanha, três grandes navios encouraçados da "Classe
Dreadnought" que, no Brasil, recebeu o nome de "Classe Minas
Geraes". Entretanto, por pressões diplomáticas da Argentina, temerosa do
poderio naval do Brasil, e por dificuldades de financiamento da compra dos
navios, a encomenda inicial de três encouraçados foi reduzida para apenas dois,
de 23.500 toneladas máximas de deslocamento, batizados com os nomes de
"Minas Gerais" e "São Paulo".
Construído nos estaleiros Vickers, Sons & Maxim em
Barrow-in-Furness, após o batimento de quilha, em 30 de abril de 1907, foi
lançado ao mar, em 19 de abril de 1909 e incorporado em 12 de junho de 1910.
Foi seu primeiro comandante, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Francisco Gavião Pereira
Pinto, logo substituído pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra Francisco Marques Pereira
de Souza.
Na sua viagem inaugural para o Brasil, conduziu o Presidente eleito
Marechal Hermes da Fonseca, de Cherbourg para o Rio de Janeiro, tendo
assistido, na escala em Lisboa, à Implantação da República Portuguesa, em
meados de 5 de outubro de 1910.
Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942, fez parte do sistema de defesa
do porto de Recife, em Pernambuco.
Esteve em serviço ativo até 1951, quando foi desincorporado. Naufragou no
Oceano Atlântico, a caminho da demolição, no mesmo ano.
Suas Características são:
Deslocamento (toneladas): 17 274 (leve); 19 250 (normal) e 21 500
(máximo).
Dimensões:
Comprimento total - 165,61 metrosBoca - 23,31 metrosPontal - 12,81 metrosCalado - 8,54 metros
Blindagem:
Casco - 229 mm à meia nau e 152 mm na proa e na popaTorres principais - 229 mm na parte da frente e 203 mm nas lateraisConvés - 51 mm
Sistema Bullivan de rede metálica anti-torpédica, envolvendo o casco a
quatro metros da linha d'água e três metros do costado.
Propulsão: 18 caldeiras a carvão; 2 máquinas a vapor de tríplice
expansão, gerando 23 500 bhp, acopladas a dois eixos com hélices de quatro pás.
Combustível: 2750 toneladas de carvão distribuídas em 36 carvoeiras.
Velocidade: velocidade máxima 19,6 ; velocidade de cruzeiro 9,4 nós.
Autonomia: 10 200 milhas náuticas à velocidade média máxima e 14 200
milhas à velocidade econômica de cruzeiro.
Aguada: dois destiladores com capacidade para 70 ton/dia de água potável.
Armamento: 12 canhões Armstrong de 12 pol/45 cal. (305 mm) em seis torres
duplas; 22 canhões Armstrong de 4,7 pol/50 cal. (120 mm) e 8 canhões Armstrong
de 47 mm/50 cal. em reparos singelos, que podiam ser transferidos e utilizados
nas lanchas para apoio a operações de desembarque.
Tripulação: 1173 homens, 138 oficiais e suboficiais e 1035 praças.
A importância histórica dos encouraçados no Movimento Escoteiro
Brasileiro
Pois em 17 de abril de 1910 o Encouraçado Minas Gerais, junto com a
conhecida "Esquadra Branca", a frota de guerra do Brasil que foi
construída na Inglaterra chega ao Brasil trazidos pela Marinha de Guerra. Os
primeiros manuais, uniformes e escoteiros brasileiros, filhos de alguns de
sub-oficiais e oficiais que estavam a serviço na Inglaterra, os quais fizeram
parte do início do Movimento Escoteiro naquele país, também chegaram com a
Frota. O Oficial Amélio de Azevedo Marques teve seu filho, Aurélio Azevedo
Marques, o primeiro Boy Scout brasileiro, que fez promessa na Inglaterra, e
junto com os demais marinheiros é considerado o introdutor do Escotismo no
Brasil.
A primeira notícia sobre o Escotismo publicada no Brasil foi no dia 1º de
dezembro de 1909, no número 13 da revista Ilustração Brasileira editada no
Distrito Federal, no Rio de Janeiro, e com circulação nacional. A reportagem
tinha o título: Scouts e a Arte de Scrutar; ocupava três páginas e apresentava
7 fotografias. A matéria fora preparada na Inglaterra pelo 1º Tenente da
Marinha de Guerra Eduardo Henrique Weaver, onde se encontrava a serviço. Teve,
assim, a oportunidade de presenciar o nascimento do Movimento Escoteiro –
Scouting for Boys, criado em 1907 pelo General Inglês Baden-Powell – B-P Na
época, juntamente com o Tenente Weaver, encontrava-se na Inglaterra numeroso
contingente de Oficiais e Praças da Marinha – preparava-se para guarnecer os
novos navios da esquadra brasileira em construção.
Quando da vinda para o Brasil, os militares trouxeram consigo uniformes
escoteiros ingleses, que tinham o valor de trinta libras esterlinas. O
Encouraçado "Minas Gerais", navio onde estava embarcada a maioria dos
militares interessados em trazer para o Brasil o Movimento Escoteiro, chegou ao
Rio de Janeiro em 17 de abril de 1910. No dia 14 de junho do mesmo ano, na casa
número 13 da Rua do Chichorro no Catumbi, Rio de Janeiro, reuniram-se,
formalmente, todos interessados pelo escotismo e embarcados nos navios que
haviam chegado ao Brasil. Naquele local foi oficialmente fundado o Centro de
boys Scouts do Brasil.
O evento foi informado aos jornais, os quais publicaram a carta recebida
da Comissão Diretora. A correspondência enviada começava nos seguintes termos:
À imprensa desta capital, brilhante e poderoso fator de progresso, campeã de
todas as idéias nobres, vem o Centro de Boys Scouts do Brasil, solicitar o
auxílio de sua boa vontade, o esteio de que necessita para que em todos os
lares brasileiros penetre o conhecimento do quanto à Pátria pode ser útil a
instrução dos Boys Scouts.











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