1 de julho de 2023

Encouraçado São Paulo, a "A Esquadra Branca" e sua importância para o Escotismo no Brasil.



Encouraçado São Paulo, a "A Esquadra Branca" e sua importância para o Escotismo no Brasil.

O Encouraçado São Paulo foi um navio do tipo encouraçado (Dreadnought) da Marinha do Brasil, da Classe Minas Geraes. Foi o segundo navio da armada a receber este nome, em homenagem ao estado brasileiro de São Paulo.

Um pouco de sua história com base na enciclopédia livre

No início do século XX a Marinha do Brasil deu início ao um programa de modernização tecnológica e de aquisição de embarcações, visando recomplementar e reaparelhar a esquadra. Esta encontrava-se obsoleta desde o fim do Império, em 1889, entre outros fatores como:

- pela rápida evolução dos meios devido à corrida armamentista entre as nações industrializadas nomeadamente no último quartel do século XIX e na primeira década do século XX;
- pela falta da aquisição de novos meios por parte do governo republicano brasileiro, recém-implantado;
- em função dos prejuízos causados pelas duas Revoltas da Armada.

De acordo com as orientações do ministro das Relações Exteriores, José Maria da Silva Paranhos, o Barão do Rio Branco, e do ministro da Marinha, Júlio César de Noronha, em 1904, o governo do Presidente Rodrigues Alves encomendou em 1906, na Grã-Bretanha, três grandes navios encouraçados da "Classe Dreadnought" que, no Brasil, recebeu o nome de "Classe Minas Geraes". Entretanto, por pressões diplomáticas da Argentina, temerosa do poderio naval do Brasil, e por dificuldades de financiamento da compra dos navios, a encomenda inicial de três encouraçados foi reduzida para apenas dois, de 23.500 toneladas máximas de deslocamento, batizados com os nomes de "Minas Gerais" e "São Paulo".

Construído nos estaleiros Vickers, Sons & Maxim em Barrow-in-Furness, após o batimento de quilha, em 30 de abril de 1907, foi lançado ao mar, em 19 de abril de 1909 e incorporado em 12 de junho de 1910. Foi seu primeiro comandante, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Francisco Gavião Pereira Pinto, logo substituído pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra Francisco Marques Pereira de Souza.



Na sua viagem inaugural para o Brasil, conduziu o Presidente eleito Marechal Hermes da Fonseca, de Cherbourg para o Rio de Janeiro, tendo assistido, na escala em Lisboa, à Implantação da República Portuguesa, em meados de 5 de outubro de 1910.

Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942, fez parte do sistema de defesa do porto de Recife, em Pernambuco.

Esteve em serviço ativo até 1951, quando foi desincorporado. Naufragou no Oceano Atlântico, a caminho da demolição, no mesmo ano.


Suas Características são:

Deslocamento (toneladas): 17 274 (leve); 19 250 (normal) e 21 500 (máximo).

Dimensões:
Comprimento total - 165,61 metros
Boca - 23,31 metros
Pontal - 12,81 metros
Calado - 8,54 metros

Blindagem:
Casco - 229 mm à meia nau e 152 mm na proa e na popa
Torres principais - 229 mm na parte da frente e 203 mm nas laterais
Convés - 51 mm

Sistema Bullivan de rede metálica anti-torpédica, envolvendo o casco a quatro metros da linha d'água e três metros do costado.

Propulsão: 18 caldeiras a carvão; 2 máquinas a vapor de tríplice expansão, gerando 23 500 bhp, acopladas a dois eixos com hélices de quatro pás.

Combustível: 2750 toneladas de carvão distribuídas em 36 carvoeiras.

Velocidade: velocidade máxima 19,6 ; velocidade de cruzeiro 9,4 nós.

Autonomia: 10 200 milhas náuticas à velocidade média máxima e 14 200 milhas à velocidade econômica de cruzeiro.

Aguada: dois destiladores com capacidade para 70 ton/dia de água potável.

Armamento: 12 canhões Armstrong de 12 pol/45 cal. (305 mm) em seis torres duplas; 22 canhões Armstrong de 4,7 pol/50 cal. (120 mm) e 8 canhões Armstrong de 47 mm/50 cal. em reparos singelos, que podiam ser transferidos e utilizados nas lanchas para apoio a operações de desembarque.

Tripulação: 1173 homens, 138 oficiais e suboficiais e 1035 praças.


A importância histórica dos encouraçados no Movimento Escoteiro Brasileiro

Pois em 17 de abril de 1910 o Encouraçado Minas Gerais, junto com a conhecida "Esquadra Branca", a frota de guerra do Brasil que foi construída na Inglaterra chega ao Brasil trazidos pela Marinha de Guerra. Os primeiros manuais, uniformes e escoteiros brasileiros, filhos de alguns de sub-oficiais e oficiais que estavam a serviço na Inglaterra, os quais fizeram parte do início do Movimento Escoteiro naquele país, também chegaram com a Frota. O Oficial Amélio de Azevedo Marques teve seu filho, Aurélio Azevedo Marques, o primeiro Boy Scout brasileiro, que fez promessa na Inglaterra, e junto com os demais marinheiros é considerado o introdutor do Escotismo no Brasil.

A primeira notícia sobre o Escotismo publicada no Brasil foi no dia 1º de dezembro de 1909, no número 13 da revista Ilustração Brasileira editada no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, e com circulação nacional. A reportagem tinha o título: Scouts e a Arte de Scrutar; ocupava três páginas e apresentava 7 fotografias. A matéria fora preparada na Inglaterra pelo 1º Tenente da Marinha de Guerra Eduardo Henrique Weaver, onde se encontrava a serviço. Teve, assim, a oportunidade de presenciar o nascimento do Movimento Escoteiro – Scouting for Boys, criado em 1907 pelo General Inglês Baden-Powell – B-P Na época, juntamente com o Tenente Weaver, encontrava-se na Inglaterra numeroso contingente de Oficiais e Praças da Marinha – preparava-se para guarnecer os novos navios da esquadra brasileira em construção.

Quando da vinda para o Brasil, os militares trouxeram consigo uniformes escoteiros ingleses, que tinham o valor de trinta libras esterlinas. O Encouraçado "Minas Gerais", navio onde estava embarcada a maioria dos militares interessados em trazer para o Brasil o Movimento Escoteiro, chegou ao Rio de Janeiro em 17 de abril de 1910. No dia 14 de junho do mesmo ano, na casa número 13 da Rua do Chichorro no Catumbi, Rio de Janeiro, reuniram-se, formalmente, todos interessados pelo escotismo e embarcados nos navios que haviam chegado ao Brasil. Naquele local foi oficialmente fundado o Centro de boys Scouts do Brasil.

O evento foi informado aos jornais, os quais publicaram a carta recebida da Comissão Diretora. A correspondência enviada começava nos seguintes termos: À imprensa desta capital, brilhante e poderoso fator de progresso, campeã de todas as idéias nobres, vem o Centro de Boys Scouts do Brasil, solicitar o auxílio de sua boa vontade, o esteio de que necessita para que em todos os lares brasileiros penetre o conhecimento do quanto à Pátria pode ser útil a instrução dos Boys Scouts.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

DEIXEM SEU COMENTÁRIO! POR FAVOR SEJAM EDUCADOS!